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A história das sinagogas e sua relevância

10/12/2025 Mendy Tal
A história das sinagogas e sua relevância | Jornal da Orla

Durante o período do Segundo Templo (520 a.C. a 70 d.C.), o judaísmo manteve-se fiel ao passado enquanto semeava as bases para o futuro. Continuou a preservar oTemplo, o sacerdócio e o culto sacrificial; legados da religião do Israel pré-exílico, mas também inventou uma instituição completamente diferente: a sinagoga.

Após a destruição do Segundo Templo em 70 d.C., a sinagoga assumiu gradualmente um papel cada vez mais importante na sociedade e na consciência judaicas. A sinagoga é uma contribuição duradoura do período do Segundo Templo para a história do judaísmo, do cristianismo e do islamismo.

A origem da sinagoga é desconhecida e, sem uma nova descoberta de magnitude comparável à dos Manuscritos do Mar Morto, permanece incognoscível.

O termo hebraico para sinagoga é Beit k’nesset. Significa “casa de assembleia” e, portanto, se aproxima da palavra grega “synagoge”, que também significa “assembleia”.

Durante séculos, a sinagoga funcionou principalmente como a ideia do mundo antigo de um “Centro Comunitário Judaico”, um local para os judeus se reunirem. Essas instituições pontilhavam a paisagem judaica mesmo enquanto o Segundo Templo — santuário de nosso culto ancestral — ainda estava de pé. A sinagoga da antiguidade pode nos parecer surpreendentemente “secular” em sua orientação.

Originalmente, as pessoas podiam ter ido à sinagoga principalmente para se reunir ou estudar.
Na História, o fato de os seres humanos terem conseguido trazer Deus para o seu meio através da construção de um santuário sagrado marca uma mudança drástica na mitologia do antigo Oriente Próximo.

A Torá imagina seres humanos unindo-se para moldar materiais terrenos (madeiras preciosas, metais, tecidos) em um lugar onde a Presença de Deus possa habitar. A inversão é poética e completa o ciclo da obra de criação de Deus. No primeiro capítulo de Gênesis, Deus cria uma morada para os seres humanos habitarem. No último capítulo de Êxodo, os seres humanos, israelitas são incumbidos de um propósito sagrado, criam uma morada para Deus habitar.

Quando nos perguntamos qual é o propósito de uma sinagoga? Em última análise, a resposta é: “Tornar a Presença de Deus perceptível.”

Com a ascensão do judaísmo rabínico, uma forma de culto mais democrática começou a se consolidar, assim como conceitos como urbanização e institucionalização, que se espalharam por todo o Império Romano e, posteriormente, pelo Império Bizantino. Com o fim do período do Segundo Templo, chegou ao fim a prática do sacrifício, e a leitura da Torá preencheu esse vazio. Como resultado, a Arca dos Rolos e a arca da Torá se desenvolveram, emergindo eventualmente como o ponto focal da sinagoga, representando um símbolo de sobrevivência e preservação.

Quase todas as sinagogas antigas na terra de Israel revelam vestígios e fragmentos de uma arca da Torá, seja na forma de uma plataforma elevada como base para a edícula, um nicho ou uma cabeceira. Essa evidência demonstra a importância da arca da Torá como uma das poucas características consistentes dentro da sinagoga antiga.

Contudo, o surgimento da arca da Torá não foi a única característica emergente que acompanhou a ascensão do judaísmo rabínico. Ao contrário da exclusividade do ritual mediado por sacerdotes atribuída ao Templo, os participantes da antiga sinagoga envolviam-se na realização e condução de cerimônias, recitando orações e lendo a Torá. Uma nova natureza participativa do culto estava se desenvolvendo durante esse período, e ela é preservada através dos vestígios arquitetônicos.
Existem certas características que aparecem em todas as sinagogas, independentemente de serem Ortodoxas ou Reformistas.

Todas as sinagogas possuem um grande armário voltado para Jerusalém, chamado Aron Hakodesh, que simboliza a Arca da Aliança que continha as tábuas com os Dez Mandamentos recebidos por Moisés. É a peça central da sinagoga e guarda os rolos da Torá. O Aron Hakodesh é considerado a parte mais sagrada da sinagoga;

Sefer Torá é um rolo guardado dentro do Aron Hakodesh. Escrito à mão por um escriba, é coberto com um manto ou pano ricamente decorado.

O Ner Tamid é uma luz acima do Aron Hakodesh que nunca se apaga. “Mantenham as lâmpadas acesas diante de Deus” (Êxodo 27:21).

A Bimá é uma plataforma elevada com uma mesa de leitura. É de lá que o Sefer Torá é lido. A bimá geralmente é colocada no centro de uma sinagoga judaica ortodoxa, enquanto as sinagogas judaicas reformistas costumam ter a bimá perto do Aron HaKodesh. A bimá representa o altar no Templo.
Não há imagens de Deus ou de pessoas em uma sinagoga, pois o segundo dos Dez Mandamentos proíbe a idolatria:

“Não representem tais deuses com estátuas ou figuras de qualquer coisa que esteja no céu, na terra ou nas águas debaixo da terra. Não se curvem diante deles nem os adorem. Eu sou Deus, o Senhor, Deus que exige adoração exclusiva.”=