Cena

13 anos de amor e cumplicidade neste Dia dos Namorados

12/06/2025 Isabela Marangoni
Arquivo pessoal

O que pode nascer do encontro entre dois opostos? De um lado, Fábio Ungaretti — ou Fábio Hulk como é mais conhecido – professor, esportista, santista roxo e ligado no 220. Do outro, Vera Ungaretti, a coordenadora amada por todos, serena, corinthiana (mas só quando convém, para alfinetar em dia de jogo) e um tanto quanto séria – apenas para quem não conhece direito. À primeira vista, tão diferentes, mas daqueles casos em que a vida parece ter conspirado para juntar. Foi assim com eles. Em 2012, no colégio onde trabalhavam, cruzaram caminhos sem saber que estavam começando uma história que serve de inspiração para muitos.

Amor à primeira vista? Não exatamente. Fábio vivia sua solteirice, recém-saído de um casamento longo, enquanto Vera começava um novo capítulo em Santos, com as filhas e a vontade de recomeçar. A vida, aos poucos, os aproximou, até que, de maneira quase clichê — ou quem sabe não tão clichê assim —, começaram a namorar em 12 de junho, dia dos namorados.

O PRIMEIRO DIA DOS NAMORADOS JUNTOS

O pedido, no entanto, não foi como o esperado: em vez de rosas e corações, Vera recebeu orquídeas acompanhadas de um cartão sem assinatura. O mistério se espalhou pela escola, com apostas para descobrir quem teria enviado aquelas flores justamente no dia mais romântico do ano. “Mandei uma mensagem para ele perguntando sobre as flores e ele respondeu ‘o que você acha?’. Quando perguntei se ele sabia que dia era, ele me surpreendeu: ‘quer namorar comigo?’”, lembra Vera.

O primeiro jantar oficial como namorados aconteceu em Praia Grande. O motivo? Eles namoraram em segredo por um mês após o pedido. “Fomos a um restaurante com uma vela flutuante e uma dupla cantando. Nos divertimos com toda a situação”, conta Fábio.

CELEBRAÇÃO EM TODAS AS OCASIÕES

Desde então, passaram a celebrar cada momento juntos. “Ela comemora tudo: o dia que começamos a namorar, o casamento civil, o religioso, quando juntamos as coisas em casa… tem data na aliança, outra na certidão, mas tudo bem. A gente comemora”, brinca ele. O casamento veio relativamente rápido, um ano e meio depois, em três cerimônias diferentes — porque sabiam exatamente o que queriam e estavam certos da decisão. “Casamos rápido, mas não por pressa. Já tínhamos uma vida antes, com histórias e experiências anteriores”, complementa Vera.

Hoje, 13 anos depois, com quatro filhas — duas de cada um de seus relacionamentos passados — e muito companheirismo, Fábio e Vera são um exemplo de amor que não busca perfeição, mas sim sintonia. Entre uma celebração e outra, o segredo da relação está na paciência, algo que pode parecer trivial, mas que no cotidiano é fundamental. “Temos que respeitar as diferenças e manias um do outro, encontrar harmonia nas pequenas imperfeições”, refletem.

PACIÊNCIA, AMOR E DEDICAÇÃO

Fábio recorre a uma metáfora simples. “Quando nos apaixonamos, é pela pessoa como ela é. Não adianta querer mudar. Ela me conheceu esportista e respeita isso, até começou a participar. Eu me apaixonei por ela do jeito que ela é, com as qualidades e defeitos. Aprendemos a conviver e amar isso um no outro”.

Nos momentos difíceis — que inevitavelmente aparecem — o casal tem uma solução prática: pegam o carro e saem para dar uma volta. Conversam, escutam, ajustam. “Todas as engrenagens de um relacionamento vão se azeitando com o tempo”, diz ele. “Ninguém começa sabendo tudo. A gente vai aprendendo um com o outro.”

Eles seguem aprendendo, se moldando, sem jamais tentar transformar o outro em alguém diferente. “O amor verdadeiro é isso: aceitar, ceder, dialogar, rir das dificuldades e celebrar, mesmo nos momentos mais corriqueiros”, completa Fábio.

O conselho que deixam para os casais mais jovens é simples, porém poderoso: “Tenham paciência e, acima de tudo, amor. Porque sem amor, nenhuma paciência vale a pena”.

PLANOS FUTUROS

Sobre o futuro, eles se imaginam aposentados, com rodinhas nos pés — viajando, indo para o interior, parando em pequenos apartamentos só para trocar de mala. “E ela vai ter que me acompanhar nas competições de canoa até a categoria 80+”, brinca Fábio.

Para quem está começando um relacionamento, o recado é claro: paciência, diálogo e, claro, amor. “Hoje tudo é muito descartável. Qualquer problema vira motivo para separação. Mas relacionamento não é isso. É errar e acertar. A gente amadurece dentro dele”, conclui Vera.