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Só os humanos suspiram

20/12/2025 Luiz Dias Guimarães
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Gosto da imperfeição humana. Dela nasce a imaginação e o esforço. Talvez essa seja a principal diferença nossa para a IA. Não sei até que ponto
o algoritmo consegue entender a sutileza do que pensamos e escrevemos, como a poesia.

A IA estabelece padrões, estrutura as ideias de maneira organizada e lógica. Mas não consegue interpretar uma metáfora quando dizemos algo com outro sentido.

Tende a ser perfeita na construção fria das palavras. Mas não entende o sentido do que só é tratado entre corações.

Por isso gosto mesmo da imperfeição humana, que está sempre a nos desafiar para sermos melhores. Aliás, há quem entenda que o esforço vale mais que a inteligência. Porque a convicção da inteligência leva frequentemente à soberba e à acomodação, enquanto o esforço nos estimula a nos superarmos sempre.

Esse é o nosso desafio, sermos cada vez mais levados a desbravar e superar nossos limites. Alguém disse outro dia que um pai não deve dizer à criança que é inteligente, mas sim que é esforçada, pois isso a faz acreditar.

Na verdade somos o que os outros nos atribuem. A rigor somos o que pensamos ser, pelos demais influenciado e a nos convencer.

Esses rótulos viram mantras e definem nossos rumos. O pensamento faz a vida criada por cada um. Sim, somos o que acreditamos ser, e nossa vida aquilo que, pelo esforço, podemos conseguir.

Por isso minha existência é uma mescla do que acredito ser com meu esforço, ainda que o acaso surja no meio do caminho.

Entende por que gosto de ser alguém imperfeito? Deixo à máquina a perfeição. Gosto de buscar as palavras para demonstrar o que sinto, ainda que muitas vezes não consiga à altura das minhas ideias e sentimentos. Deixo à IA a busca, nos alfarrábios das nuvens, a sintaxe das frases perfeitas.

Que a IA seja modelo de inteligência e lhe seja atribuída a perfeição. Eu, em meu canto, continuarei, no recôndito dos meus sentimentos, a buscar a melhor expressão do que eu, um ser absolutamente imperfeito, sinto e quero espalhar ao mundo, em frases, ainda que toscas, o que só os humanos, detentores de espírito, conseguem transmitir a outros espíritos mais.

Há quem diga que o comando esteja nas tripas do cérebro.

Há quem lembre que as emoções são digeridas nas vísceras dos intestinos e às vezes acabem com eles, quando a capacidade de sentir ódio e raiva que parte da alma, fraca ou doentia, pode nos destruir.

Não creio que a máquina possa sentir angústia, aflição, agonia, nem creio que nela brote a esperança. Tampouco que sinta amor, esse atributo que germina apenas em quem, com esforço de se aprimorar, expressa pela poesia, esta que não segue padrões semânticos, e se mostra com ações, palavras ou olhares. E faz, como
só os humanos sabem fazer, o outro suspirar.