A voz da consciência

Um castigo irônico e cruel contra uma mãe PCD e negra

26/07/2024
Um castigo irônico e cruel contra uma mãe PCD e negra | Jornal da Orla

A 5ª Conferência Nacional da Pessoa com Deficiência, em Brasília, deveria ser um espaço de união, luta e conquistas para um público que sofre diariamente com o preconceito. No entanto, a história de Jô Nunes, uma mulher negra que dedicou 33 anos à causa da inclusão, nos mostra o quão irônico e cruel pode ser o destino.

Jô, mãe da Jessica, que tinha Síndrome de Williams, uma doença rara, lutou incansavelmente por políticas públicas para tratamento, inclusão escolar e todos os direitos das pessoas com doenças raras e com deficiência. Ela é fundadora da Associação Brasileira da Síndrome de Williams (ABSW), foi conselheira municipal e estadual, e atualmente é Conselheira do CONADE.

É inaceitável que uma mulher com a trajetória de Jô, que dedicou sua vida à luta por direitos, tenha sido excluída de uma mesa de encerramento da conferência, onde deveria representar a mulher negra. A mesa era composta por quatro pessoas brancas, e Jô foi ignorada, mesmo após avisar que estava presente e pronta para participar.

Como pode um evento que se propõe a defender a inclusão e os direitos da pessoa com deficiência ser palco de um ato tão covarde e discriminatório? A falta de respeito com Jô, uma mulher negra que dedicou sua vida à luta por justiça, é um ataque direto à causa da inclusão e à dignidade humana.

É revoltante que, mesmo após a indignação de outros conselheiros do CONADE, a solução oferecida para Jô tenha sido um “lugarzinho” na lateral da mesa, um tratamento humilhante e desrespeitoso.

Jô, profundamente machucada e em luto pelos direitos, relata a discriminação sofrida e a falta de respeito com sua condição de mulher negra e mãe cuidadora, que raramente tem voz.

O próprio Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania ser chefiado por um homem negro torna esse caso ainda mais chocante e inaceitável. Como pode acontecer discriminação com uma mulher negra dentro de um evento da magnitude que foi e sob responsabilidade dele?

É preciso que as autoridades responsáveis se posicionem e demonstrem que o discurso de inclusão e igualdade não é apenas retórica, mas uma prática real e efetiva.

Jô Nunes, você não está sozinha! Sua luta por justiça e igualdade é a nossa luta também.

A Importância da Inclusão e o Combate à Discriminação

A discriminação enfrentada por Jô Nunes na 5ª Conferência Nacional da Pessoa com Deficiência é um lembrete contundente de que a luta pela inclusão e igualdade ainda é uma batalha em curso em nossa sociedade. O caso de Jô, uma mulher negra e dedicada ativista, expõe as feridas do preconceito e da exclusão que persistem em diversos âmbitos, inclusive em eventos que deveriam ser espaços de união e conquistas.

A atitude covarde e discriminatória de relegar Jô a um lugar secundário na mesa de encerramento da conferência é inaceitável e demonstra a urgência de enfrentarmos o racismo estrutural e a discriminação em todas as suas formas. O desrespeito com uma figura tão importante na luta pelos direitos das pessoas com deficiência e doenças raras é um reflexo da falta de verdadeira inclusão e respeito mútuo em nossa sociedade.

É essencial que casos como o de Jô sejam expostos e combatidos com determinação. As autoridades responsáveis devem se posicionar de forma firme e tomar medidas concretas para garantir que situações de discriminação e exclusão não se repitam. A inclusão não pode ser apenas uma promessa vazia, mas sim uma prática real e efetiva em todos os aspectos da vida em sociedade.

A história de Jô Nunes nos inspira a refletir sobre nossas próprias atitudes e ações em relação à inclusão e respeito mútuo. Sua luta por justiça e igualdade ecoa como um chamado à ação, lembrando-nos de que a batalha pela inclusão é contínua e exige o engajamento de todos. Jô não está sozinha em sua luta, pois sua voz ressoa em cada um de nós que acredita em um mundo mais justo, inclusivo e igualitário.

Portanto, é nosso dever como sociedade unir forças, levantar nossas vozes e defender os direitos e a dignidade de todos. Somente assim poderemos construir um futuro onde a inclusão seja uma realidade palpável e onde a discriminação e o preconceito sejam superados pela força da solidariedade e do respeito mútuo. Juntos, podemos e devemos fazer a diferença, seguindo o exemplo de Jô Nunes e tantos outros que lutam incansavelmente por um mundo melhor para todos. Esse fato, infelizmente, demonstra que o amor continua vencendo?.

 

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