Cena

Tradição, filosofia e arte se misturam no livro ‘A poética da Chawan japonesa’

02/09/2025 Da Redação
Divulgação

A tigela usada na cerimônia do chá, a chawan, é o centro das atenções de um novo livro que mistura tradição, filosofia e arte. A Poética da Chawan Japonesa: Concepção, Arte e Emoção, organizado pela ceramista Hideko Honma e pela pesquisadora Juliana Gioia Negrão, reúne ensaios e depoimentos de mestres do chá, artistas e estudiosos sobre um dos objetos mais simbólicos da cultura japonesa.

Lançado pela Afluente Editora, o livro mostra como a chawan pode ser vista de muitos jeitos: como peça histórica, objeto de contemplação estética, experiência sensorial ou até extensão da alma de quem a produz. O projeto gráfico é de Sayuri Takamatsu, as fotos são de Rafael Salvador e o volume ainda ganha um toque lírico com haicais de Massami Uyeda. O resultado é um livro que não se limita à leitura, mas convida também ao olhar e ao toque, como se cada página tivesse a textura da argila.

Dividido em duas partes, o livro passeia por reflexões de nomes como Mestre Sôichi Hayashi, Ōhi Toshio Chōzaemon XI, Carla Saueressig e Akira Umeda. Há quem fale da chawan como metáfora da vida, quem a veja como elo de comunhão e quem a descreva como a própria janela para o espírito do ceramista. Rachel Hoshino, por exemplo, fala da tigela como uma experiência sensorial que liga natureza, história e humanidade. Já Akira Umeda lembra que até no cinema japonês a chawan aparece como símbolo da beleza e da tragédia humanas.

Na segunda metade, o foco está nos bastidores da criação: massas cerâmicas, esmaltação, ergonomia e o processo criativo. Hideko Honma trata a confecção da tigela como um ato meditativo, quase um ritual pessoal. Outros autores, como Mikio Honma e Acácia Azevedo, trazem olhares mais técnicos, enquanto Juliana Negrão e outras pesquisadoras destacam a chawan como objeto de introspecção e de cura.

O lançamento acontece no dia 13 de setembro, sábado, às 10h, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. A programação inclui mesa-redonda com autores, demonstração de cerimônia do chá com o mestre Sôichi Hayashi e apresentação de ikebana com Tamako Yoshimoto. Depois, as autoras recebem o público para autógrafos.

O livro custa R$ 195 e estará à venda na Livraria Gaudí, no Instituto, e também em pré-venda no site da editora. Para colecionadores, haverá uma edição limitada de 35 exemplares, em caixa de madeira assinada por Paulo Alves Design e acompanhada de uma peça de cerâmica feita por Hideko Honma. O preço: R$ 1.990.

Mais que falar de cerâmica, A Poética da Chawan Japonesa é um convite a enxergar beleza, presença e tempo na simplicidade de uma tigela — um objeto cotidiano que, nas mãos certas, se transforma em arte e em filosofia de vida.