Cena

Tarrafa Literária vai de quinta a domingo no Teatro Guarany

21/10/2025 Gustavo Klein
Divulgação

A Tarrafa Literária chega à sua 17ª edição com fôlego renovado e uma programação que reforça o espírito democrático que a consagrou. De 23 a 26 de outubro, o Teatro Guarany, no centro histórico de Santos, volta a receber alguns dos nomes mais importantes da literatura brasileira e lusófona. O festival, criado em 2009 pelo livreiro e editor José Luiz Tahan, da Realejo Livros, nasceu com a proposta de aproximar leitores e escritores em um ambiente acolhedor e acessível.

Desde então, já reuniu mais de cem mil pessoas e se tornou um dos principais encontros literários do país. Em 2025, o evento homenageia a escritora paulista Giselda Laporta Nicolelis, autora de mais de cem livros e referência na literatura infantojuvenil, celebrando sua trajetória de décadas dedicadas à formação de leitores.

A quinta-feira, 23, abre oficialmente as mesas do festival com três encontros que dão o tom da edição. Às duas da tarde, Midiã Noelle e Bruno Rodrigues Lima participam da mesa Racismo, origens e protagonismo, mediada por Douglas Martins, discutindo a força das narrativas negras e indígenas na reconstrução das identidades brasileiras. Às cinco, Daniela Arbex e Bruno Paes Manso se reúnem em O jornalismo e a busca da verdade, com mediação de Jorge Oliveira, em uma conversa sobre o papel da reportagem e da escrita documental em tempos de desinformação. Às oito da noite, Anna Virginia Balloussier e Michel Alcoforado encerram o primeiro dia com A riqueza e a crença, mesa mediada por Gustavo Klein que mergulha nas contradições entre fé, consumo, riqueza e moralidade contemporâneas.

POVOS ORIGINÁRIOS

Na sexta-feira, 24, a programação começa às duas da tarde com o escritor Cristino Wapichana em O que as narrativas dos povos originários revelam sobre suas culturas, mediado por Cláudia Alonso. O autor partilha histórias e mitos que reafirmam o poder da tradição oral como raiz da literatura brasileira. Às cinco, Oscar Nakasato e Vinícius Neves Mariano participam de Clubes de leitura e de leitores – visões e experiências, sob mediação de Gabrielle Cunha, debatendo o papel dos coletivos literários na formação de novos públicos. Às oito, o português Afonso Cruz divide a mesa Vícios públicos, vício dos livros com Milton Hatoum, com mediação de Manuel da Costa Pinto, em um encontro sobre obsessões criativas, solidão e prazer na escrita.

O sábado, 25, traz uma programação marcada pela diversidade de vozes e origens. Às duas da tarde, Evandro Cruz Silva e o angolano Ondjaki se encontram em Os da minha praia, com mediação de Walter Porto, para discutir identidade, humor e as pontes culturais entre Brasil e Angola. Às cinco, Luiz Antonio Simas e Lilia Guerra sobem ao palco com Pensar e escrever a rua – cultura popular brasileira na veia, mesa mediada por Tiago Coelho que celebra as manifestações culturais urbanas e suas narrativas. E às oito da noite, o filósofo Eduardo Giannetti e a escritora Juliana Belo Diniz encerram o dia com A verdade e o engano – as emoções da finitude, mediada por Gisela Monteiro, em uma reflexão sobre a fragilidade humana e os limites entre razão e emoção.

O domingo, 26, último dia do festival, começa às duas da tarde com O tempo das sutilezas, encontro entre Aline Bei e Ana Martins Marques, mediado por Victor Valente, sobre poesia, delicadeza e silêncio como formas de resistência. Às cinco, Beatriz Bracher e Júlio Pimentel Pinto conversam sobre Literatura e história – fronteiras e sintonias, com mediação de Lindener Pareto, explorando as ligações entre memória, ficção e narrativa histórica. Às oito da noite, o festival se despede com Sem filtros – a memória virando história, reunindo Tati Bernardi e Tatiana Vasconcellos, sob mediação de Matthew Shirts, em uma conversa sobre crônica, confissão e escrita autobiográfica.

A homenagem a Giselda Laporta Nicolelis perpassa toda a programação, destacando a importância da literatura como ferramenta de formação e descoberta. Em tempos de dispersão digital e superficialidade, a Tarrafa reafirma o poder da palavra como abrigo e espaço de encontro. Mantendo entrada gratuita e espírito de proximidade, o festival promete transformar novamente Santos em um grande território literário, onde o diálogo, a escuta e a imaginação se tornam os protagonistas.