
O presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. A medida, comunicada em carta ao presidente Lula, seria uma retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, que Trump classificou como “caça às bruxas”. Agora, o governo brasileiro estuda aplicar tarifas iguais sob a nova lei de reciprocidade econômica. A decisão afeta setores como café, carne, aço e embarcações.
Para a Baixada Santista, um polo estratégico do comércio exterior brasileiro, o chamado “tarifaço” pode significar problemas para as cadeias comerciais tradicionais e desafio à estrutura logística já consolidada.
A principal mercadoria afetada na relação comercial dos dois países é o café. Hoje, o país que mais importa o produto do Brasil são os EUA. O corretor de café Eduardo Carvalhaes considera prematura uma análise definitiva do impacto. “O Trump tem isso de que ele muda de opinião toda hora. Temos que esperar o que vai acontecer”, declara.
Carvalhaes destaca que não existe lógica em taxar café em 50%. “A indústria de café nos Estados Unidos é o maior consumidor de café do mundo. E é o nosso maior cliente externo”, explica. O corretor lembra que os Estados Unidos são o segundo maior comprador de café brasileiro, atrás apenas do próprio mercado brasileiro.
INDÚSTRIA E PORTO
O secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão, Fabrício Lopes, confirma que o mercado americano representa uma parcela significativa das exportações locais. “Somente neste ano, foram mais de US$ 34 milhões exportados para os Estados Unidos, o que reforça a necessidade de vigilância diante dos desdobramentos dessa guerra comercial”, afirma.
Já a advogada especialista em Direito Marítimo Cristina Wadner propõe ações emergenciais para mitigar efeitos na logística portuária. “Na minha opinião, a primeira providência seria o Governo Federal suspender ou flexibilizar exigências burocráticas de forma temporária no despacho aduaneiro”, sugere. Ela defende medidas provisórias ou resoluções da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Anataq) e Receita Federal para flexibilizar contratos entre players da navegação e terminais arrendatários. A advogada também propõe desvio estratégico de cargas, “até com uso de portos alternativos para aliviar eventuais sobrecargas em Santos”.
RECIPROCIDADE
O advogado tributarista Antônio Carlos Morad aponta que o Brasil pressionará com reciprocidade, aumentando tributos para produtos importados dos Estados Unidos. “Ambos os grupos empresariais, tanto brasileiros como norte-americanos reclamarão aos órgãos de seus países clamando por um consenso”, prevê. O tributarista considera que utilizar entidades internacionais contra os Estados Unidos seria “perda de tempo”. “Só a diplomacia, e a nossa é uma das melhores do mundo, pode reajustar o desajustado”, avalia Morad.


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