Política

Tarcísio precisa conciliar desenvolvimento econômico com sensibilidade social, diz Caio França

08/11/2022
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O deputado estadual Caio França (PSB) avalia que em sua gestão como governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas terá o desafio de conciliar desenvolvimento econômico com sensibilidade social.

“Ele defendeu o desenvolvimento econômico, com obras, mas não podemos passar batido da questão social”, afirmou o parlamentar, que foi reeleito com 105.173 votos, durante sua participação do “Debate na Redação”, programa do OrlaPlay — o canal do Jornal da Orla na internet.

O parlamentar acredita que a grande questão é quando à postura de Tarcísio, se vai adotar um comportamento mais moderado ou agir com um radical de extrema-direita. “Se ele pender mais para o lado “bolsonarista-raiz” ele corre o risco de implodir seu governo e ter uma briga insana durante os quatro anos”, argumenta. “Tem que ver até que ponto os filhos de Bolsonaro vão interferir”, completa.

Caio França acredita que Tarcísio deverá assumir um perfil mais moderado e lideranças políticas conservadoras, mas não radicais, terão papel importante no governo. Ele cita o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o ex-ministro Guilherme Afif Domingos. “Eu gostei das primeiras entrevistas de Tarcísio. Ainda que ela tenha feito um aceno para o presidente Bolsonaro, ele falou que quer ter uma relação institucional com o presidente Lula. O governo do Estado depende muito da parceria com o governo federal”, explica.

Segundo o deputado, alguns pontos são fundamentais. “São Paulo não pode negar a ciência, em nenhum momento, não pode titubear na hora de vacinar as crianças. Educação é outro tema importante. Na área de segurança, não podemos retroceder, como no caso de retirar as câmeras dos uniformes dos policiais”, afirma.

Caio França acredita que Tarcísio tem um perfil diferente do de Jair Bolsonaro. “Tarcísio começou a campanha tentando mostrar que poderia ter algumas divergências com o Bolsonaro, só que os bolsonaristas são muito agressivos, começaram a gritar e o Tarcísio teve que se enquadrar para poder alinhar o discurso dele com o do Bolsonaro. Inegavelmente, Bolsonaro tem muita força no estado de São Paulo. Se tivessem deixado o Tarcisio mais solto, ele teria feito algumas divergências com o Bolsonaro. Mas tem uma galera do Bolsonaro que não aceita nenhuma divergência”.

Alckmin terá força no governo Lula
Na sua avaliação, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, terá uma partipação efetiva no governo Lula, e não será mera figura decorativa.

“Ele terá um papel importante. Ele é um bom gestor, já provou isso em São Paulo. Foi quatro vezes governador de São Paulo, é quase um segundo presidente do pais. Ele será um tocador do governo, Lula fará política externa e o Geraldo será uma espécie de primeiro-ministro, que vai cobrar os ministros, que fará as reuniões. Não sei se ele ocupara um cargo de ministro mas, mesmo que não ocupe, terá a função de tocador, acompanhar números, cobrar resultados”.

Caio França acredita que seu pai, o ex-governador Marcio França, será ministro do governo Lula, mas a pasta ainda ainda não foi definida. “O PSB fará parte do governo Lula. Foi o principal partido a apoiar o presidente Lula desde o início. Claro que estamos na expectativa, mas, muito respeitosamente, aguardando o melhor momento que isso possa acontecer”, finaliza.