
Nesta quinta-feira, 19 de junho, celebra-se o Dia do Cinema Brasileiro. A data ganha em 2025 um significado especial: o cinema nacional vive um de seus melhores momentos, com destaque em premiações internacionais e reconhecimento da crítica e do público. É um tempo de colheita para uma indústria que sempre soube sobreviver com criatividade, coragem e talento.
Um dos maiores destaques do ano foi o Oscar de Melhor Filme Internacional conquistado por Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles. Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, o longa retrata a história real de Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres, viúva do deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar.
O filme acompanha a transformação de Eunice de dona de casa a militante em busca de justiça, em um retrato sensível e potente das cicatrizes do autoritarismo. Além do Oscar, a produção rendeu a Fernanda Torres o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático e uma indicação ao Oscar na mesma categoria, reforçando a força interpretativa de sua trajetória.
Fernanda, aliás, tem uma história marcante no cinema. Em 1986, já havia sido premiada em Cannes por sua atuação em Eu Sei Que Vou Te Amar. O reconhecimento atual reforça sua importância como atriz que atravessa décadas com consistência e brilho.
Outra grande conquista aconteceu no Festival de Cannes, onde O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, faturou dois prêmios de peso: Melhor Direção e Melhor Ator, para Wagner Moura. O filme retrata um Brasil atual, com narrativa intensa, temas políticos profundos e atuações marcantes. A parceria Kleber-Wagner reafirma a maturidade do cinema nacional em contar histórias densas, com técnica e qualidade elevadas.
Essas vitórias recentes são continuidade de uma história que já contou com momentos marcantes. Em 1959, Orfeu Negro — uma coprodução franco-brasileira dirigida por Marcel Camus — levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Em 1962, O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, venceu a Palma de Ouro em Cannes, feito inédito para a América Latina.
BABENCO
Em 1986, O Beijo da Mulher Aranha, dirigido por Hector Babenco, rendeu o Oscar de Melhor Ator a William Hurt, que emocionou ao agradecer à “gente corajosa do Brasil” em seu discurso. O filme também foi indicado a Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado, tornando-se um símbolo da força do cinema latino-americano com produção e equipe majoritariamente brasileiras. Em 1999, Central do Brasil, de Walter Salles, encantou o mundo e levou Fernanda Montenegro à indicação ao Oscar de Melhor Atriz. E em 2003, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, foi indicado a quatro Oscars e segue como referência internacional de cinema de qualidade.
Mas o valor do cinema brasileiro não se mede apenas por seus prêmios. Desde sempre, ele reflete — com intensidade e ousadia — a cultura, a alma e as contradições do país. Com ou sem aplausos do exterior, nossos filmes contam histórias que falam diretamente ao coração do povo brasileiro, traduzem dilemas sociais, eternizam personagens populares, reimaginam o cotidiano e renovam constantemente a linguagem cinematográfica.
É impossível falar dessa trajetória sem reverenciar alguns dos muitos nomes que moldaram essa arte no Brasil: Gláuber Rocha, Cacá Diegues, Bruno Barreto, Walter Hugo Khoury, Nelson Pereira dos Santos, José Padilha, Fernando Meirelles, Walter Salles, Anna Muylaert, Hector Babenco, Guel Arraes, Eduardo Coutinho, Anselmo Duarte, Andrucha Waddington, Ruy Guerra, Walter Lima Jr., Arnaldo Jabor, Domingos Oliveira, Neville D’Almeida, Ugo Giorgetti, Cao Hamburger, José Mojica Marins, Laís Bodanzky, Suzana Amaral, Halder Gomes, Carla Camuratti, Karim Aïnouz e tantos outros que deixaram sua marca com autenticidade, vigor criativo e olhar crítico.
ORGULHO
Com tantos feitos, o Dia do Cinema Brasileiro não é apenas uma data comemorativa. É um momento de olhar para tudo que o cinema nacional representa: uma forma de contar histórias com olhar próprio, de emocionar e provocar reflexão, de retratar o Brasil em suas contradições, dores e belezas. A produção brasileira é diversa, viva e pulsante. Vai do sertão à periferia, do drama à comédia e à distopia.
Em um mundo de tantas telas e tantas vozes, o cinema brasileiro segue firme como espaço de arte, de memória e de resistência. E neste 19 de junho, mais do que celebrar, é dia de reconhecer e aplaudir a sua grandeza.


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