
O retorno da São Paulo Companhia de Dança a Praia Grande marca sua oitava apresentação na cidade e reforça um vínculo construído ao longo dos anos com o público local. A companhia sobe ao palco no sábado (11), às 20h, no Palácio das Artes, com entrada gratuita. Os ingressos devem ser retirados na bilheteria uma hora antes do espetáculo.
Com direção artística de Inês Bogéa, a SPCD retorna à cidade consolidando uma relação afetiva. “Voltar à Praia Grande tem um significado especial dentro da trajetória da Companhia. É uma relação construída ao longo do tempo”, afirma. Segundo ela, cada reencontro amplia essa conexão. “Encontramos tanto quem já nos acompanha quanto novos espectadores. É bonito ver como a dança mobiliza diferentes gerações”.
O programa propõe uma travessia por distintas linguagens ao reunir três obras que dialogam entre si a partir de temas como tempo, transformação e relações humanas. A versatilidade aparece na combinação entre dois trabalhos contemporâneos — Agora, de Cassi Abranches, e Indigo Rose, do tcheco Jiří Kylián — e um clássico do balé: o Grand Pas de Deux de O Cisne Negro, remontado por Mario Galizzi a partir da criação original de Marius Petipa.
Em Indigo Rose, Kylián investiga estados de passagem da juventude e a complexidade das relações humanas, combinando lirismo e precisão técnica. Um dos destaques é o uso de uma cortina de seda branca, que transforma o espaço cênico em jogos de luz e sombra.
Já o Grand Pas de Deux de O Cisne Negro, um dos trechos mais emblemáticos de O Lago dos Cisnes, evidencia virtuosismo e dramaticidade ao retratar o encontro entre o príncipe Siegfried e Odile.
Encerrando o programa, Agora mergulha na ideia de tempo em suas múltiplas dimensões. Com trilha original de Sebastián Piracés, a obra mistura percussões afro-brasileiras, rock e canto, e foi reconhecida com o Prêmio APCA de Melhor Coreografia em 2019. Para Bogéa, trata-se de uma criação “profundamente brasileira”
A convivência entre o clássico e o contemporâneo, destaca a diretora, é parte da identidade da companhia. “O balé clássico oferece base técnica e histórica, enquanto a dança contemporânea amplia as possibilidades expressivas”.
A circulação pelo estado também integra o projeto artístico da SPCD. “Levar a dança a diferentes cidades é ampliar o acesso e promover encontros reais com públicos diversos. Dançar em São Paulo é como dançar em casa”, afirma.
Para os bailarinos, o desafio está na transição entre universos distintos, que exige domínio técnico e sensibilidade. Ao mesmo tempo, manter obras clássicas em repertório é preservar e reinventar a história da dança. “Elas ganham novos sentidos a cada intérprete”, conta. “Esperamos que o público se envolva com o corpo em movimento e com as múltiplas camadas da dança. Sobretudo, que seja um encontro verdadeiro entre palco e plateia”.


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