
Legado e vanguarda se encontram na 4ª edição do Santos Tattoo Festival, um dos maiores encontros de arte, música e resistência cultural do país e o maior festival de tatuagem de entrada gratuita da América Latina. Neste ano, o evento presta homenagem aos pioneiros da tatuagem no Brasil, que abriram caminho para que a arte corporal fosse reconhecida e respeitada. A programação acontece de 10 a 12 de outubro, no Parque Valongo, a partir das 11 horas, com entrada gratuita, reunindo mais de 300 artistas nacionais e internacionais.
Criado pelo tatuador Rodrigo Redh, o festival nasceu de um encontro despretensioso. “Em 2016, fiz um pequeno evento em São Vicente, sem pretensões de algo maior. Reunimos 16 artistas gratuitamente e recebemos 2 mil pessoas. Foi beneficente: arrecadamos duas toneladas de alimentos. A partir daí, surgiu a vontade de crescer”, lembra Rodrigo.
A primeira edição em Santos aconteceu em 2019, no antigo Centro de Convenções. “Não esperávamos tanta aceitação. Tivemos cerca de 400 artistas e 22 mil visitantes. Foi um sucesso enorme”, conta.
História e homenagens
Mais do que um grande evento, o Santos Tattoo Festival tem um significado histórico: Santos é considerada o berço da tatuagem no Brasil. “A primeira máquina elétrica e as tintas coloridas chegaram pelo cais, em 1959, trazidas pelo dinamarquês Knud Gregersen, conhecido como Lucky Tattoo, que iniciou a história da tatuagem moderna no país”, explica Rodrigo.
Neste ano, o festival presta homenagem às origens da arte com o tributo “O Legado”, dedicado a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento da tatuagem brasileira. “Selecionamos quatro nomes que fomentam o segmento — não apenas artistas, mas também pessoas que escrevem, estudam e incentivam a tatuagem de diferentes formas. Entre eles, Marcelo Mordenti, um dos tatuadores brasileiros mais reconhecidos no mundo, e o secretário de Cultura, Rafael Leal”, destaca.
O evento funciona como uma plataforma multicultural e democrática, pensada para todos os públicos e idades. “Nossa missão sempre foi elevar a tatuagem a um patamar de arte e cultura. Homenagear os pioneiros é fundamental, pois eles são a base de tudo que construímos e a prova de que a tatuagem é um movimento de expressão genuína e duradoura”.
A escolha do Parque Valongo reforça o simbolismo histórico. “Estar no cais antigo, onde a tatuagem chegou ao Brasil, é como voltar às origens. Tudo começou ali”, completa.
Programação
A programação do festival se expande para diversas áreas da cultura e do entretenimento. Haverá shows de diferentes estilos, com destaque para a banda Dead Fish, que encerra o evento no domingo. Também se apresentam Baysideking, Banda Aclive, Equalize, e os rappers Gnoli013 e Kiddz011, além das emocionantes Batalhas da Conselheiro.
Para os amantes da gastronomia, o festival oferece comidas variadas, food trucks, cervejarias artesanais e outras opções para todos os gostos. A arte urbana ganha destaque, transformando o festival em uma galeria a céu aberto, com intervenções de grafite ao vivo, batalhas de tinta com 10 artistas e performances do Coletivo Santista. A economia criativa também é valorizada através do Villarejo, com mais de 50 expositores locais, reforçando o empreendedorismo e a produção autoral da região.
Causa social e novidades
O festival também abraça causas sociais. Em parceria com o Instituto Neo Mama e o projeto Amigos do Peito, serão realizadas ações sobre prevenção do câncer de mama, além de micropigmentações e restaurações de aréolas para mulheres em tratamento. “Quando percebi que o evento aconteceria no Outubro Rosa, decidimos abraçar a causa. Vamos arrecadar fundos e oferecer atendimentos durante o festival”, diz.
Pela primeira vez, o evento inclui esportes de contato, com o tradicional torneio Thai Santos Fight e apresentações dos Monstros do Boxe, promovendo um intercâmbio cultural entre a força da arte corporal e a energia do esporte. Serão 15 lutas de Muay Thai no sábado e apresentações de boxe no domingo, com participação de projetos sociais.
Para o tatuador Phernandu Nunes, presente desde a primeira edição, o festival vai além do aspecto comercial. “Não é só tatuagem; é cultura. Uma cultura crescendo, expandindo. Estar em um evento que homenageia os pioneiros, na cidade onde tudo começou, é uma honra”, afirma.
Phernandu reforça que a tatuagem é arte, estudo e entrega. “Eu acordo pensando em tatuagem e durmo pensando em tatuagem. Amo desenhar. Tatuo há 23 anos, mas estudo todo dia. Tatuagem é expressar sentimento e melhorar a vida de alguém. É colocar o seu interno para fora”, conclui.
Com apoio da Prefeitura de Santos, por meio da Secretaria de Cultura, e patrocinadores privados, o Santos Tattoo Festival aposta na arte como ferramenta de inclusão e também de transformação social. “O festival é gratuito e aberto a todos. Queremos celebrar a arte, a história e o poder de resistência da tatuagem. Nada mais justo do que fazer isso no lugar onde tudo começou”, finaliza Rodrigo.


Deixe um comentário