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Santos começa a sofrer com acúmulo de lixo nas ruas

05/08/2025 Josi Castro
Santos começa a sofrer com acúmulo de lixo nas ruas | Jornal da Orla

Audiência no TRT-SP acontece hoje, para tentar resolver impasse entre empresa e trabalhadores da limpeza pública

Já são perceptíveis os primeiros acúmulos de lixo orgânico, fortalecidos pela paralisação parcial dos trabalhadores da limpeza pública, ligados ao Grupo Diniz (Terracom), em um movimento que completa uma semana. Em Santos, principalmente nos bairros da Zona Leste, algumas esquinas estão com sacos de lixo empilhados ao lado de restos de mobílias. A categoria, que atende a seis das nove cidades da Baixada Santista, reivindica 7% de aumento linear sobre o salário e benefícios. A Justiça, por meio de liminar, determinou que os trabalhadores mantivessem 70% da operação dos serviços de coleta de lixo e limpeza urbana.

Até o momento, os sindicatos representantes e a Terracom não chegaram a um acordo quanto ao índice sugerido. A empresa ofereceu contra-proposta de 5,5% nos salários e 7% nos benefícios, que não foi aceita em assembleia. Nesta terça-feira (5) a categoria e a empresa se reúnem em audiência na 2ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho para tentar chegar a um consenso para o reajuste.

“O Grupo Diniz reafirma o respeito com os profissionais que atuam na limpeza pública e esperam que o diálogo prevaleça, tendo em vista que apresentou uma proposta efetiva de reajuste salarial, compatível com os índices praticados no mercado, demonstrando o compromisso com a manutenção dos empregos e bem-estar de todos os colaboradores”, afirmou a empresa, por meio de nota.

A Prefeitura de Santos afirma que os serviços de coleta domiciliar, limpeza de praias, coletas de resíduos de saúde, seletiva e de volumosos, varrição, limpeza de feiras livres, entre outros, estão operando com 70% do efetivo de trabalhadores. “A Administração Municipal notificou o consórcio para que sejam garantidos todos os serviços essenciais sem prejuízos à população. Também ressalta que está totalmente adimplente em relação ao contrato junto ao consórcio Terra Santos, sendo que a paralisação parcial não tem nenhuma com a sua execução financeira”, informou, por meio de nota.

Por outro lado, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana da Baixada Santista (Siemaco), André Rodrigues de Lima, tentou apoio do prefeito Rogério Santos (Republicanos), nesta segunda-feira. Foi recebido pelo assessor de gabinete, Rafael Oliva. “Eu expliquei a eles que, com o valor da multa que a empresa poderá receber, o dinheiro poderia pagar o aumento de 7% do pessoal. Não dá para entender essa desculpa deles”, pontua o sindicalista.

A população está se virando como pode. Na Rua Liberdade, no bairro do Embaré, os moradores ficam reticentes em deixar seus resíduos nas lixeiras das calçadas. “Desde sexta-feira que não há coleta. A gente fica com medo que os animais de rua rasguem nossos sacos e espalhem o lixo pela rua, gerando mau odor. Somos obrigados a depositar nas caçambas que ficam na Pedro Lessa, a 500 metros de casa, que também já estão abarrotadas e com lixo espalhado”, conta Solange Gil, que reside no logradouro, próxima à Avenida Senador Dantas.

OUTRAS CIDADES

As demais cidades atendidas pelo Grupo Diniz comunicaram, por nota, que monitoram as negociações entre a empresa e o sindicato, a fim de garantir a continuidade dos serviços essenciais e minimizar os impactos à população.

Bertioga anunciou que foi garantido pela empresa o mínimo do efetivo estabelecido pela justiça. Praia Grande destacou que “cumpre todas as cláusulas do contrato e que os valores repassados mensalmente para a empresa estão em dia”. A cidade também esclareceu que equipes da Secretaria de Serviços Urbanos estão de prontidão para reforçar a coleta de lixo domiciliar nos bairros.

São Vicente informou que está trabalhando com equipes próprias nas ruas “para que a cidade se mantenha limpa e organizada” e que centralizou um canal de atendimento via WhatsApp – (13) 97423-4472 – para resolução das demandas referentes à limpeza urbana. Nas mensagens de texto, a população pode inserir vídeos e fotos. O número não aceita ligações.

Em Cubatão, foi necessário realizar adaptações, realocando alguns pontos, distribuindo os serviços para atender todo o município com o recolhimento do lixo residencial. Segundo a Secretaria de Manutenção e Serviços Públicos, a varrição de ruas não sofreu alterações. “É evidente que a parada de 30% da mão de obra traz consequências logísticas, porém a Cidade tem tentado manter a regularidade dos serviços”, esclareceu a Prefeitura.

Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Guarujá não enviou informações.