
Com quase quatro décadas de experiência clínica com adolescentes e famílias, o psicólogo argentino Alejandro Schujman lança no Brasil, em 15 de setembro, o livro ‘Adolescência: um desafio possível’. A obra inaugura o selo Catarsis, da Catapulta Editores, e já está disponível em pré-venda em livrarias e plataformas online.
Misturando prática profissional, vivências pessoais e inquietações diante do cenário atual, Schujman propõe um mergulho sensível e realista nas dores, expectativas e possibilidades da adolescência. Para ele, não existem fórmulas mágicas, mas caminhos possíveis, que passam por presença, escuta ativa e a coragem de colocar limites com afeto. “Escrevi a partir de meus 38 anos de experiência em trabalho com adolescentes e famílias, mas também como pai de dois homens, hoje com 31 e 24 anos”, conta. “Vivemos um desconcerto crescente no mundo adulto frente a esta nova tragédia coletiva: a solidão dos jovens e a perda do sentido comum de que devemos cuidá-los”.
Falsa permissividade
O psicólogo alerta para armadilhas culturais que naturalizam comportamentos de risco. “Sob o falso paradigma de que todos fazem, ficamos impossibilitados de acompanhar e cuidar de maneira assertiva. Costumo dizer que são chihuahuas disfarçados de rottweilers: meninos e meninas cuja roupa de adulto ainda não serve, mas a de criança já deixou de servir”.
Nesse contexto, os limites são fundamentais. “O limite é amor, é cuidado. É dizer ‘isto não’, mas todo o resto sim. Só que hoje vivemos o medo dos filhos. Isso deixa os jovens em absoluto desamparo, sem ferramentas para enfrentar os desafios do mundo adulto”.
Hiperconectividade e solidão
Outro ponto central do livro é o impacto da tecnologia. “Os jovens não são nativos digitais. As telas fomos nós, adultos, que demos quando eram muito pequenos. O custo é altíssimo. Vivemos em um mundo de monitores acesos e olhares apagados. O desafio é inverter essa equação: apagar monitores e acender olhares”.
Segundo Schujman, a hiperconectividade gera uma falsa sensação de companhia. “Antes mesmo da pandemia já existia, a meu ver, uma epidemia de solidão. Os adolescentes dizem se sentir profundamente sós em relação à companhia dos adultos, que também estão presos na virtualidade”.
Autoridade e afeto
O grande questionamento é como encontrar o equilíbrio entre firmeza e confiança. Para Schujman, a resposta está no vínculo. “Não podemos ser confiáveis se não estamos cuidando. Precisamos perder o medo de que se irritem. Eles podem se zangar e, depois, se acalmar, mas aprenderão que a vida não acontece sempre como desejam”.
Ele reconhece, no entanto, que também vive esse desafio. “Meu filho mais novo, Santiago, me disse certa vez: ‘papai, as coisas que você fala em suas palestras, comigo não acontecem’. Ser pai é complexo e maravilhoso. Me dedico a isso para tentar somar meu grão de areia nesse universo de adultos desconcertados”.
Um beija-flor contra o incêndio
Para ilustrar sua missão, Schujman recorre à metáfora do beija-flor que tenta apagar sozinho o fogo no bosque. “O monstro diz: escapa, você não vai conseguir. E o beija-flor responde: já sei, mas pelo menos faço a minha parte. Precisamos de um exército de beija-flores em todos os âmbitos da sociedade”.
Chamado à responsabilidade
Mais do que oferecer receitas prontas, ‘Adolescência: um desafio possível’ pretende provocar debates. “Estamos fracassando com todo êxito, mas a boa notícia é que há muito o que fazer. Não podemos seguir resignados. Somos protagonistas do que acontece com nossos filhos. Quem diz que é impossível não deveria atrapalhar quem está tentando”.
O livro reúne reflexões e ferramentas práticas para pais e educadores: impor limites com empatia, educar sem medo, melhorar a comunicação com adolescentes e fortalecer redes familiares colaborativas. É um convite para olhar a adolescência com profundidade e generosidade, transformando o que parece um problema em uma oportunidade.
O lançamento oficial acontece em 15 de setembro, e o autor espera que a obra circule por escolas, instituições públicas e lares. “Amaria que este livro gere debate, pontos de encontro, conversas. Nosso tesouro mais precioso são nossos filhos. Homens pequenos, em lugares pequenos, fazendo coisas pequenas podem mudar o mundo. E humildemente me somo a esse desafio”.


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