
Com três décadas de carreira artística, a palhaça e educadora Ludmilla Corrêa transforma a escola em um território de aprendizado, riso e reflexão. Entre os dias 25 e 29 de agosto, o projeto “SUPER M – no chão da escola” chega à UME José Carlos de Azevedo Júnior, com atividades gratuitas voltadas a estudantes e educadores. A proposta convida a comunidade escolar a rir, refletir e construir novas formas de estar no mundo, promovendo escuta, acolhimento e potência no ambiente escolar.
O início
A palhaçaria entrou na vida de Ludmilla através do teatro. “Comecei com 9 anos e, neste ano, completo 30 anos de carreira. Em 2002, participei de uma oficina de palhaçaria clássica na oficina Pagu e, desde então, venho pesquisando essa linguagem”, recorda.
O projeto nasceu dessa vivência como artista e professora. Em 2023, Ludmilla foi convidada a participar da “Semana Há Gosto pelas Artes” na mesma escola e apresentou uma aula-espetáculo que unia história do circo, perspectiva antirracista e memória da primeira mulher palhaça do Brasil, Maria Eliza Alves dos Reis, conhecida como Palhaço Xamego. Filha do dono do Circo Guarany, João Alves, ela se disfarçava de homem para poder atuar no picadeiro, já que as mulheres eram proibidas. “É uma história muito bonita, que conto enquanto me transformo na palhaça Cristina, envolvendo o público na cena”, explica.
Estrutura do projeto
Contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o projeto se divide em dois eixos: Pedagógico e Artístico, sempre tendo a palhaçaria como linguagem central.
No eixo pedagógico, a programação será hoje (25) com o Encontrão no Chão da Escola, que reúne educadores em mesas de diálogo: a primeira sobre ‘Palhaçaria, Acessibilidade e Antirracismo: Um Triângulo da Diversidade’, com Karla Lacerda, Lai e Magda Figueiredo; e a segunda que vai abordar o ‘Letramento de Gênero no Chão da Escola’, com Flavi Lima, oferecendo ferramentas e reflexões para uma abordagem inclusiva em sala de aula.
Essa última mesa tem inspiração pessoal: Ludmilla é mãe de um menino trans. “As pessoas ainda não têm conhecimento sobre gênero e sexualidade. Buscamos oferecer letramento para que os adultos possam acolher as crianças de forma afetiva e respeitosa”, afirma.
De 26 a 28 de agosto, acontecem as Vivências de Palhaçaria com estudantes do Ensino Fundamental II, envolvendo jogos de improviso, expressão corporal e experimentações com o nariz vermelho como ferramenta poética e crítica.
Já no eixo artístico, no dia 29 de agosto, Ludmilla apresenta o espetáculo solo “Super M”, seguido de roda de partilha com estudantes e educadores. A personagem é uma supermulher palhaça e mãe, que reflete com humor sobre a evolução humana, os desafios da maternidade e a sobrevivência no século XXI.
Educação e transformação
Para Ludmilla, a palhaçaria é também uma ferramenta pedagógica. “Ela me fez conhecer Paulo Freire e me ensinou a dialogar com as crianças olho no olho, com afeto, sem impor autoridade. É isso que quero trazer para os educadores: protagonismo, reflexão e uma prática de educação decolonial e anticapacitista.”
Além das oficinas e espetáculos, o projeto garante acessibilidade em Libras e é gratuito para estudantes, professores e comunidade escolar. “Metade da nossa vida passamos na escola. Quem ensina são os adultos, e muitas vezes são eles que precisam de conhecimento para que possamos viver em uma sociedade mais justa e diversa”, ressalta.
Ludmilla finaliza. “A história da Super M me traz felicidade enorme, porque posso praticar a palhaçaria feminista e pela diversidade. Posso mostrar que sou palhaça, mãe e artista, contando de forma sensível, inclusiva e bem-humorada sobre a vida humana, rompendo tabus e oferecendo esperança.”


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