
Depois de meses de alta, os preços das carnes suína e bovina finalmente deram uma trégua ao bolso do consumidor paulista. Em abril, ambos os produtos apresentaram queda, conforme o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), elaborado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A carne suína registrou queda geral de 1,64%, e a carne bovina, 0,49%. Na carne de porco, os destaques foram os cortes de pernil com osso (-2,44%), lombo com osso (-2,22%) e a costela suína (-0,44%). Já na carne bovina, os cortes nobres como o filé mignon apresentaram -8,25% e a alcatra -4,46%, além de opções mais populares como a fraldinha, -4,91%.
“A combinação de fatores climáticos favoráveis e a redução da taxa de câmbio criou um ambiente propício para a queda dos preços”, explica o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz. Segundo ele, o bom ciclo de chuvas no início do ano, especialmente nas regiões Sudeste e Sul, melhorou a qualidade das pastagens e reduziu a dependência de ração animal na engorda bovina, diminuindo os custos de produção.
CÂMBIO
“Como o Brasil é o principal exportador global dessas duas proteínas, a taxa de câmbio tem impacto direto sobre o preço ao consumidor local. Quando o câmbio está em alta, sofremos pressão inflacionária. Agora, com a tendência de queda, há um ajustamento de preços para baixo, ainda que gradual, mas já perceptível na prateleira ao consumidor final”, destaca Queiroz. A força das exportações brasileiras comprova essa relação. Em abril, as vendas externas de carne suína atingiram US$ 276,6 milhões, superando a média histórica da última década. No ano passado, foram exportados US$ 3,033 bilhões, ou seja, uma média de US$ 252,7 milhões por mês.
Já as exportações de carne bovina alcançaram US$ 1,2 bilhão, valor que supera tanto a média mensal dos últimos dez anos quanto os montantes registrados em abril de 2024 e 2023, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
EXPECTATIVA
A boa notícia para o consumidor é que a tendência de queda deve continuar. O economista projeta que os preços das carnes devem se manter estáveis ou em leve declínio nos próximos meses, especialmente em maio, junho e julho.
“Nossa expectativa é que não tenhamos oscilação brusca nos preços, exceto se observarmos alterações climáticas mais acentuadas ou fuga de capitais na economia internacional”, pondera o economista. “Não havendo nenhum dos dois cenários e mantendo-se a situação estável, a expectativa é de continuidade na redução dos preços”.
QUADRIMESTRE
De acordo com relatório da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), o saldo da balança comercial do agronegócio paulista foi de US$ 6,72 bilhões no acumulado de janeiro a abril de 2025. As exportações totalizaram US$ 8,70 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 1,98 bilhão. As exportações do agronegócio paulista representaram 40,7% do total exportado pelo estado de São Paulo no período analisado, enquanto as importações do setor corresponderam a 6,9% do total estadual.
Vale observar que neste primeiro quadrimestre, o movimento de ampliação de compras do agro paulista pela China e Estados Unidos. A China registrou aumento de 7% no volume do grupo soja e 1% do grupo de carnes. O maior aumento de compras foram realizadas pelos Estados Unidos, que elevaram as aquisições de carnes em 93%; produtos florestais em 59% e cafés em 9%.


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