Cena

‘Orgulho e Preconceito’ terá versão em minissérie pela Netflix

31/07/2025 Gustavo Klein
Divulgação

A nova adaptação de Orgulho e Preconceito anunciada pela Netflix já desperta curiosidade antes mesmo de encerrar as filmagens. Com estreia prevista para 2026, a minissérie trará Emma Corrin no papel de Elizabeth Bennet e Jack Lowden como o Sr. Darcy. A produção conta ainda com Olivia Colman como a Sra. Bennet e roteiro assinado por Dolly Alderton, autora de Tudo que Eu Sei Sobre o Amor. O diretor Euros Lyn, conhecido por Heartstopper, comandará os episódios. A primeira imagem divulgada mostra as cinco irmãs Bennet e promete uma abordagem contemporânea e sensível.

Mas toda nova adaptação de Austen carrega o fardo de ser comparada a versões anteriores — e com razão. Orgulho e Preconceito, publicado em 1813, é uma das obras mais amadas da literatura britânica. A crítica social embutida no romance, o humor afiado de Austen e os personagens tão vivos quanto atemporais tornam cada releitura uma tarefa complexa. O romance acompanha Elizabeth, uma jovem espirituosa e de opiniões fortes, e sua relação conturbada com o reservado Sr. Darcy, ambos envoltos por uma sociedade que valoriza o casamento como ferramenta de ascensão social.

Entre todas as adaptações já feitas — e não foram poucas —, a versão de 2005 dirigida por Joe Wright permanece, para mim, insuperável. Não apenas pelo elenco, que trouxe Keira Knightley, Donald Sutherland e uma jovem Carey Mulligan como Kitty, mas pelo conjunto da obra. A direção sensível de Wright, a fotografia arrebatadora com enquadramentos que falam por si, e a trilha sonora assinada por Dario Marianelli criam uma experiência.

A delicadeza da narrativa naquele filme, os silêncios, os gestos contidos formam um cenário que serve de espelho ao jogo de emoções e hesitações dos personagens. É uma adaptação que compreendeu Austen não apenas em suas palavras, mas no espírito. Superar essa síntese entre conteúdo e forma será uma missão quase impossível, mesmo com um elenco talentoso e uma equipe criativa atualizada.

A expectativa é válida, e a Netflix tem investido com ousadia em releituras literárias. Mas será necessário mais do que bons nomes para chegar perto da magia que Joe Wright entregou em 2005.