
Difícil falar de Pedro Farah sem lembrar da “múmia paralítica”, aquele copeiro trôpego e silencioso que arrancava gargalhadas ao lado de Agildo Ribeiro em Planeta dos Homens. A cena, repetida por anos, fez dele um rosto imediatamente reconhecível pelo público brasileiro. Mas reduzir sua carreira a esse bordão seria injusto com um artista que atravessou mais de sete décadas de palco, TV e cinema.
Pedro José Calil Farah nasceu no Rio de Janeiro em 1929 e começou no teatro em 1954, com a peça A Revolta dos Brinquedos. Logo migrou para a televisão, ainda nos tempos pioneiros da TV Tupi, e encontrou no humor o território onde se tornaria imortal. Entre as décadas de 1970 e 1980, brilhou em programas como Planeta dos Homens e Os Trapalhões, sempre em papéis de apoio que, ainda assim, conquistavam a plateia pela precisão do gesto e do tempo cômico.
Nos anos 1990, já consolidado, foi incorporado ao elenco do Zorra Total, onde reviveu a célebre múmia e mostrou fôlego para se conectar com novas gerações. Mas sua trajetória não se restringiu à comédia. Farah esteve em novelas como Cambalacho, Fera Ferida, Êta Mundo Bom! e A Dona do Pedaço, além de marcar presença no cinema desde os anos 1950, em títulos como Rio, Zona Norte, e em sucessos recentes como Minha Vida em Marte e Os Farofeiros 2.
Mesmo enfrentando a leucemia crônica, seguiu trabalhando até os últimos anos, prova de sua devoção à arte. Pedro Farah morreu no Rio de Janeiro, em 4 de setembro de 2025, aos 95 anos, vítima de um infarto. Foi velado no Cemitério do Caju e cremado na sequência.
Humorista de bastidores, daqueles que transformam pequenas aparições em momentos inesquecíveis, deixou uma galeria de personagens que ainda habitam a memória coletiva. Farnetto, como era chamado, partiu, mas sua marca continua pulsando no riso de quem cresceu com ele na tela.


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