Esportes

Mundo do esporte aplaude a história de Oscar Schmidt

19/04/2026 Da Redação
ÉRGIO BEREZOVSKY/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

A morte de Oscar Schmidt abalou a estrutura do cenário esportivo em todo o mundo. O atleta partiu aos 68 anos, na cidade de Santana do Parnaíba no fim de tarde da última sexta-feira (17), a causa da morte ainda não foi divulgada, e a sua cremação aconteceu na noite do mesmo dia, em uma cerimonia reservada para familiares. Oscar foi cremado com uma camisa da seleção brasileira, a qual fez questão de defender durante tantos anos.

Sendo o maior pontuador da história das olimpíadas, com 1.093 pontos, e o segundo maior da história do basquete, com 49.737 pontos em jogos oficiais – ele só foi superado por Lebron James, em 2024. Sua trajetória foi homenageada por times, autoridades e até mesmo lendas do esporte, como Larry Bird. “Sempre admirei o Oscar e o considerava um amigo; ele foi, sem dúvida, um dos maiores jogadores de todos os tempos. Foi uma honra imensa quando o Oscar me pediu para apresentá-lo em sua merecida cerimônia de entrada para o Hall da Fama do Basquete Naismith Memorial. Meus sinceros pêsames à família do Oscar”, disse o famoso Ala.

Oscar também foi homenageado pelo Flamengo, último clube onde jogou, que aposentou a camisa 14 e relembrou a história do craque no rubro-negro. “Ídolo eterno, Oscar marcou época com o Manto Sagrado entre 1999 e 2003, deixando um legado que transcende as quadras e seguirá inspirando gerações. Oscar Schmidt é um patrimônio do esporte do Flamengo, do Brasil e do mundo. Sua história ajudou a moldar o basquete como o conhecemos hoje e seguirá como referência eterna de excelência, talento e paixão”.

O Mão Santa era santista em sua infância e, mesmo que tenha virado a casaca para torcer para o Corinthians, também teve sua história celebrada pelo clube da Vila Belmiro. “Mão Santa, foi um dos maiores esportistas do nosso país e um dos grandes jogadores do basquete mundial, sendo detentor de recordes inacreditáveis. Oscar, que foi santista durante toda a sua infância, é um ícone brasileiro e uma das grandes referências de tantas gerações que surgiram depois de suas conquistas”, relatou o Peixe, em nota.

Ao longo da carreira, Oscar defendeu a seleção brasileira por 326 vezes, somando 7.693 pontos com a camisa verde e amarela. Com o número 14, ele venceu o histórico Pan-Americano de 1987 em cima dos Estados Unidos, venceu três campeonatos Sul-Americanos de Basquete (1977, 1983 e 1985). Sua paixão pela seleção o fez recusar jogar pela NBA em 1984, quando foi draftado pelo New Jersey Nets, ainda assim marcou 25 pontos nos 25 minutos em que esteve em quadra vestindo a camisa do time americano.

Mesmo sem nunca atuar na maior liga nacional do mundo, Oscar foi introduzido ao Hall da Fama da NBA em 2013. Só ele e mais dois brasileiros realizaram esse feito: Ubiratan Pereira Maciel e Hortência Marcari. Na ocasião, ele declarou “Não tem nada melhor que isso, e eu não posso acreditar que eu estou aqui. Eu sonhei minha vida toda para estar aqui e agora eu estou. Eu preciso agradecer à Fiba, a Federação Internacional, porque eu joguei a minha vida inteira para eles. Eu abri mão da NBA para jogar com a minha seleção nacional. E essa foi a melhor coisa que eu já fiz no basquete”.

Ainda assim, com tantas homenagens, tantos pontos e arremessos, um fantasma assombrava o maior jogador de basquete do Brasil: o arremesso errado na olimpíada de 1988. “Jogador bom não pode errar o último arremesso. Aquela minha geração merecia ter uma Olimpíada. A gente merecia um campeonato desse tipo e não conseguimos porque errei. Você não tem muitas chances na vida. Você tem duas ou três no máximo para fazer aquela cesta que te dá um resultado enorme. Tive a possibilidade e errei. Não tem um dia na minha vida que não lembre aquela cesta”, disse em entrevista ao programa Altas Horas.

Nove dias antes de morrer, Oscar foi introduzido ao Hall da Fama do Comitê Olímpico Brasileiro, mas não pôde participar da cerimônia por questões de saúde, seu filho, Felipe, o representou.

Oscar sempre fez questão de deixar claro seu esforço e repetia: “Mão Santa? Não. Minha mão é treinada”.