Política

Mulher na política: a linha do tempo

08/03/2024

Em Santos, como você leu acima, os números proporcionais das mulheres são os maiores do país. Mas a verdade é que o Brasil tem predominância feminina em quase todos os campos. Com raras exceções. Uma delas é a representação política.

O voto feminino é mais recente que a abolição da escravidão. A assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel acontece em 1988. Getúlio Vargas assina a concessão do voto às mulheres 44 anos depois, em 1932.

Passados 90 anos, em 2022, as mulheres constituíam 52,65% do eleitorado brasileiro. 5,3% pontos percentuais a mais que os 47,35% dos homens. Mais de 82 milhões de eleitoras.

Maioria feminina folgada entre os eleitores. Maioria masculina esmagadora entre os eleitos. A representação feminina na Câmara é de apenas 17,7%. No Senado, menos de 1 ponto a mais: 18,5%. E pior: dos 27 governos estaduais, só dois passaram a ser comandados por mulheres. Fátima Bezerra (PT), no Rio Grande do Norte, e Raquel Lyra (PSDB), em Pernambuco são os 7,4% de exceção que confirmam a regra de predomínio masculino quase absoluto do quadro de governadores.

Dois anos antes, números bem semelhantes. Entre 5565 municípios brasileiros, só 658 elegeram prefeitas. 11,8%.

O caminho até a paridade parece longo e acidentado. A proporção de mulheres eleitas vem aumentando. Só que em ritmo de tartaruga. E esse avanço, além de vagaroso, está sujeito a acidentes de percurso como o da turbulenta passagem de Dilma Roussef pela Presidência da República.

A linha do tempo da história traz observações interessantes.

A primeira mulher a conquistar o direito ao voto no Brasil, em 1928, Celina Guimarães Viana, era de Mossoró (RN). O voto que pelo qual ela lutou na justiça depois foi anulado. Mas uma semente tinha sido plantada. Não é simples coincidência que 94 anos depois, em 2022, o Rio Grande do Norte tenha reelegido no primeiro turno, com quase 60% dos votos, uma das duas únicas governadoras do Brasil.

O primeiro país a instituir o voto feminino foi a Nova Zelândia, em 1893. Outra semente plantada pela luta feminina. Também não é coincidência que os zelandeses tenham tido como primeira-ministra, de 2017 a 2023, Jacinda Ardern.

Ainda falta muito para a paridade da representação política e para a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Mas os exemplos do Rio Grande do Norte e da Nova Zelândia escancaram a importância do ativismo permanente na luta por essas conquistas.