
Quem passar pelos corredores da ESAMC Santos até a próxima sexta-feira vai cruzar com um território onde diferentes processos de criação se cruzam — da mão ao computador — para mostrar como a tecnologia já faz parte das nossas formas de sentir e interpretar o mundo. É ali que está acontecendo o .ILUSTRA 2025 — Traços que Conectam, a exposição que transforma a universidade em um campo fértil de experimentação visual sob o tema “Inteligência artificial, emoções reais”.
O título já prepara o visitante: as obras não querem apenas ser observadas, querem provocar aquela pausa que faz a gente se perguntar o que realmente continua sendo humano num mundo acelerado pelo digital.
A mostra reúne trabalhos de alunos de diferentes cursos, com destaque para Design, Publicidade, Jornalismo, Relações Públicas e Moda. É um encontro plural que se expressa sem distinção entre ferramentas.
Tablets, grafite, tinta, softwares e papel convivem como aliados na tentativa de traduzir um momento histórico em que o futuro se intromete em cada gesto cotidiano, seja pela automação de tarefas, seja pela presença constante das inteligências artificiais. As obras trazem olhares que vão do lirismo ao estranhamento, do humor à crítica, todos unidos pela proposta de repensar a relação entre tecnologia e sensibilidade.
Segundo o professor e organizador do evento, Marcio Seco, a iniciativa coloca os estudantes diante de questões que atravessam tanto o universo acadêmico quanto o mercado de trabalho. “Para os alunos é uma forma de trabalhar o senso crítico por meio da ilustração, criando uma provocação e reflexão de como a tecnologia vai transformar vidas e profissões.
A exposição também estende esse debate à sociedade e aos demais alunos, trazendo a responsabilidade da comunicação para as questões atuais da sociedade”, afirma. A fala do docente reflete o espírito da mostra: provocar estranhamento, curiosidade e, ao mesmo tempo, estimular novas formas de pensar a criatividade.
O visitante encontrará desde composições que revisitam o toque humano em tempos de automatização até representações do afeto filtrado por telas, códigos e bancos de dados. Há trabalhos que brincam com a ideia de que a máquina tenta emular emoções, enquanto outros expõem a fragilidade humana diante de processos cada vez mais automatizados.
Em algumas peças, a estética manual se sobrepõe ao digital; em outras, as fronteiras se dissolvem completamente, produzindo imagens híbridas que poderiam nascer tanto de uma mão quanto de uma linha de comando.
Cada obra busca criar sua própria resposta — ou multiplicar as perguntas — sobre o impacto da tecnologia na vida emocional.
O ambiente da exposição convida a uma leitura livre. Não há roteiro obrigatório nem caminho predefinido; cada visitante constrói seu próprio percurso. É possível se deparar com ilustrações que refletem ansiedade contemporânea, outras que celebram o encontro entre humano e tecnologia, e também aquelas que preferem um tom bem-humorado para falar sobre a convivência com algoritmos.
A diversidade de estilos reforça o caráter investigativo do .ILUSTRA 2025, que incentiva a experimentação sem limitar técnicas, temas ou abordagens.
As obras permanecem expostas durante todo o período da mostra, criando uma rotina em que os corredores da ESAMC ganham novas camadas de cor, textura e ideias. Para muitos estudantes, participar significa também uma oportunidade de ver seus trabalhos dialogando com um público amplo, o que inclui colegas de outras áreas, professores e visitantes externos.
A circulação de olhares ajuda a ampliar perspectivas e fortalece o entendimento da ilustração como linguagem crítica, capaz de condensar sentimentos e reflexões em poucos traços.
A programação se encerra oficialmente em 1º de dezembro, às 20h, com a cerimônia de premiação. Serão reconhecidos os três melhores trabalhos entre os cursos participantes, além de uma menção honrosa destinada a um aluno de outra área.
Todos os participantes receberão certificado, reforçando o caráter formativo da iniciativa e incentivando a continuidade das práticas artísticas dentro da vida acadêmica. Para Seco, esse tipo de experiência é parte da cultura da universidade. “A ESAMC tem sempre como metodologia transformar o aluno em um profissional crítico e atualizado com o mercado, promovendo debates, exposições, semanas acadêmicas e feiras como ferramentas que agregam”, destaca.
Com uma proposta que une sensibilidade e experimentação, o .ILUSTRA 2025 transforma artes visuais em instrumento de reflexão sobre o presente e também de imaginação sobre o que está por vir. As ilustrações funcionam como pequenos observatórios das mudanças que moldam comportamentos, profissões e relações humanas. Cada traço, cada cor e cada textura se torna uma forma de conectar universos que, à primeira vista, parecem distantes, mas que hoje dividem o mesmo espaço: o das emoções atravessadas pela tecnologia.



A mostra está bem bonita! Os alunos arrasaram com suas artes!