
Consolidado como um dos principais espaços de difusão e reflexão do cinema regional, o Movimento Audiovisual da Baixada Santista (MABS) realiza, de 27 a 29 de agosto, a 16ª edição da Mostra MABS. Gratuito e aberto ao público, o evento apresenta 14 curtas-metragens produzidos na região, além de debates, homenagens e o lançamento de iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor.
O movimento
Fundado em 2018, após Santos receber o título de Cidade Criativa do Cinema pela UNESCO, o MABS nasceu da necessidade de estruturar e articular a cena audiovisual local. O coletivo reúne cineastas, produtores, estudantes e entusiastas, e tornou-se referência na luta por políticas públicas, visibilidade e oportunidades para realizadores da Baixada.
Uma das primeiras conquistas foi o Edital Toninho Dantas, que garante fomento contínuo à produção de curtas. O prêmio homenageia o ator e agitador cultural que marcou gerações. “O Toninho plantou a ideia de que era possível fazer cinema em Santos. Ele sempre dizia: ‘vocês precisam se movimentar’”, recorda Dino Menezes, idealizador do MABS.
Programação
A abertura acontece hoje (27), às 19 horas, no Teatro Guarany, com o Fórum Audiovisual da Baixada Santista, que discute o tema “O Filme Está Pronto. E Agora?”. O debate terá a participação de Eduardo Bordinhon, Tiago A. Neves, Thays Villar e Ricardo Vasconcellos, com mediação da cineasta Raquel Pelegrini.
Na ocasião, será lançado o Cinemabs, banco de dados de profissionais do setor com cerca de 50 categorias, incluindo elenco de atrizes e atores. A plataforma será de cadastro aberto e atualização constante, permitindo filtragem por cidade, gênero, cor, escolaridade e outros critérios.
Na quinta (28), o Guarany recebe a Mostra de Curtas, em duas sessões (19h30 e 21h30). De 81 inscritos, 14 filmes foram selecionados pelos curadores Andrey Haag, Sharlene Esse e Tiago A. Neves, compondo um retrato diverso da produção regional. Após as exibições, haverá a entrega do Troféu Toninho Dantas e a Festa do Cinema, animada pela DJ Iasmin Alvarez.
O encerramento será na sexta-feira (29), às 19 horas, no Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), com bate-papo entre curadores e realizadores. Os curtas também estarão disponíveis online na plataforma Cinemabs até 31 de agosto.
Curtas selecionados
A programação reúne obras de diferentes estilos e temáticas: “Antes da Rua” (direção: Bete Nagô), “Chico Voltou Só” (direção: Douglas Gadelha), “Corre Nosso” (direção: Bê Reis), “Domingo” (direção: Nabru Andrade), “Glória” (direção: Letícia Polan), “Grãos do Tempo” (direção: Letícia Matthias e Henrique Nascimento), “Mecha Meraki” (direção: Babi Astolfi), “Medo” (direção: João Pedro Silva), “O Quanto Me Desmonto Ao Me Montar” (direção: Thays Villar), “O Voo De Dener” (direção: Rafaela Souza), “Onde A Gente Parou?” (direção: Alan Oliveira), “Onde As Flores Crescem” (direção: Fabricio de Lima), “Os Óculos Novos de Caetano” (direção: João Jano e Ycaro Samaniego) e “Reflorescer – Maternidade Lésbica” (direção: Isabella Graça).
Homenagens
Além do tributo a Toninho Dantas — representado pelo troféu em formato de chinelos, marca registrada do artista —, esta edição presta homenagem a Tammy Weiss, coordenadora do Instituto Querô, Rafael Leal, secretário de Cultura de Santos, e ao jornalista e crítico de cinema Carlos Cirne (in memoriam), criador da logomarca do MABS.
Diversidade e futuro
A pluralidade é marca do coletivo. “O MABS é formado por pessoas pretas, trans, gordas, LGBTQIA+. Nosso logo já carrega essa diversidade. O cinema é feito de diferentes corpos e olhares, e temos muito orgulho disso”, afirma.
Durante a pandemia, o grupo manteve atividades online, preservando a cena cultural. Hoje, além da mostra, avança com iniciativas como a plataforma Cinemabs, a futura escola pública de cinema e a defesa de cachês para filmes exibidos, prática ainda rara no país. “O cinema é memória, resistência e futuro. Cada edição é uma celebração — porque Toninho era um homem de festa. Exibir, trocar, comemorar e lutar juntos é o nosso espírito”, resume Dino.


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