
Os 480 anos de Santos são celebrados à altura de sua relevância histórica. A Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartholomeu de Gusmão, 15 – Boqueirão) recebe a exposição “Santos 480 anos – Berço do Brasil Moderno”, que convida o público a percorrer a trajetória da cidade a partir de sua relação com o território, o porto, as rotas comerciais e os fluxos humanos que ajudaram a moldar o país.
Em cartaz de 25 de março a 10 de maio, de terça a domingo, das 9h às 18h, com entrada gratuita, a mostra abre a programação do Arte na Pinacoteca 2026.
Com curadoria de Carlos Zibel, Antonio Carlos Cavalcanti Filho, Ana Kalassa El Banat e Marjorie de Carvalho Fontenelle de Medeiros, a exposição integra a quarta edição do projeto, realizado pelo Ministério da Cultura com patrocínio de empresas ligadas ao setor portuário. A iniciativa é da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto, com direção executiva de Leila Gazzaneo.
Segundo Leila, a escolha do tema dialoga diretamente com o aniversário da cidade. “Santos é uma cidade importantíssima, com um dos maiores portos do mundo. Decidimos fazer essa homenagem como parte da programação”, afirma.
Travessia histórica
A exposição propõe uma travessia que vai dos primórdios aos dias atuais, apresentando Santos como um território em constante movimento — do mar, da terra e das pessoas. Mapas históricos, fotografias e documentos revelam como o espaço urbano foi sendo estruturado ao longo dos séculos, desde as trilhas indígenas e os primeiros contatos entre povos originários e europeus até a consolidação do porto e das redes comerciais.
O percurso destaca momentos decisivos, como o ciclo do açúcar, a ascensão do café, a implantação das ferrovias e a conexão entre o litoral e o planalto paulista — fatores que transformaram a cidade em um dos principais eixos econômicos do Brasil.
Mais do que revisitar o passado, a mostra propõe uma experiência de reconhecimento. Ao percorrer as salas, o visitante é convidado a compreender como o território e a circulação de pessoas moldaram a identidade santista. “Contamos essa história para que o público entenda como era antes e como a cidade se transformou. Isso ajuda a criar consciência histórica”.
Memória e acervo
O trabalho curatorial envolveu ampla pesquisa em acervos institucionais, como a Fundação Arquivo e Memória de Santos, a Prefeitura e o Instituto Geográfico e Histórico da cidade.
Entre os destaques estão registros do processo de saneamento urbano no início do século XX, imagens da ferrovia e do porto, além de documentos ligados à antiga estação ferroviária de Santos, inaugurada em 1867, na região do Valongo.
Cultura e encontro
Instalada em um dos edifícios históricos mais emblemáticos da cidade, a Pinacoteca reforça, com a mostra, seu papel na preservação da memória local e na democratização do acesso à cultura. “A Pinacoteca já faz parte dessa história. Preservar a memória é essencial. Nosso papel é levar cultura e educação para todos os públicos”.
A exposição também inaugura uma agenda intensa ao longo do ano. Estão previstas outras seis mostras, além de palestras, concertos, atividades infantis e o tradicional prêmio de fotografia.
Entre os destaques, uma exposição sobre circo — que já passou pelo Farol Santander — chega à cidade em versão adaptada.
Ao final, Leila resume o propósito da iniciativa. “Queremos que as pessoas sintam a emoção de reconhecer uma parte da história do Brasil e entendam a importância de preservá-la”.


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