Cena

Morre aos 86 anos Connie Francis, cantora número 1 dos anos 1960

18/07/2025 Gustavo Klein
Reprodução

Connie Francis, uma das vozes mais populares da música americana nas décadas de 1950 e 1960, responsável por sucessos como Stupid Cupid, Pretty Little Baby e Who’s Sorry Now, morreu ontem aos 86 anos.

O anúncio da morte foi feito na noite de quarta, 16, em uma publicação no Facebook de Ron Roberts, amigo de longa data da artista e presidente da gravadora Concetta Records, que Connie era proprietária. “É com grande pesar e extrema tristeza que informo o falecimento da minha querida amiga Connie Francis na noite passada. Sei que Connie aprovaria que seus fãs fossem os primeiros a saber desta triste notícia”, escreveu ele.

Connie havia sido hospitalizada com fortes dores no dia 3 de julho, mas postou no Facebook no dia seguinte que estava se “sentindo muito melhor depois de uma boa noite”. A família da cantora não informou se ela permaneceu no hospital.

Filha de imigrantes

Filha de imigrantes italianos, Concetta Rosa Maria Franconero nasceu em Newark, Nova Jersey, em 12 de dezembro de 1937. Cresceu em um ambiente bilíngue, cantando desde criança em eventos locais. Incentivada pelo pai, adotou o nome artístico Connie Francis e passou a se apresentar em programas de rádio e televisão.

O reconhecimento veio em 1958 com a gravação de “Who’s Sorry Now?”, balada dos anos 1920 que ela regravou a pedido do pai. O sucesso repentino alavancou sua carreira. A música entrou no Top 10 da Billboard e marcou sua estreia nas paradas britânicas, onde também alcançou os primeiros lugares.

Na sequência, emplacou uma série de hits, como “Stupid Cupid”, “Lipstick on Your Collar”, “Everybody’s Somebody’s Fool”, “My Heart Has a Mind of Its Own” e “Where the Boys Are”. Esta última foi tema do filme homônimo de 1960, que marcou sua estreia no cinema. Francis interpretou a música no longa e ganhou ainda mais projeção internacional.

Durante quatro anos seguidos, entre 1960 e 1963, foi eleita a cantora número 1 nos Estados Unidos. Seu repertório combinava baladas românticas, versões de músicas estrangeiras e canções adolescentes. Com voz clara, interpretação dramática e produção cuidada, se tornou símbolo da música pop pré-Beatles.

Gravou em diversos idiomas, incluindo italiano, espanhol, alemão, hebraico e japonês. Lançou discos voltados para públicos específicos, como o mercado latino-americano e a comunidade judaica nos EUA. Essa estratégia expandiu sua base de fãs fora dos países de língua inglesa.

Italianas

Francis também se destacou pelas versões de canções italianas, muitas vezes regravando sucessos populares com letras em inglês. Seu álbum Italian Favorites, lançado em 1959, ficou mais de um ano nas paradas americanas. Repetiu a fórmula com compilações voltadas para a música irlandesa, judaica e alemã.

Tragédias

Apesar do sucesso fonográfico, sua carreira foi marcada por interrupções e traumas. Em 1974, foi estuprada em um hotel em Nova York, episódio que a afastou dos palcos e a levou a uma longa batalha judicial contra a administração do hotel. Francis ganhou o processo e recebeu indenização milionária.

Ao longo dos anos 70 e 80, passou por diversas internações psiquiátricas. Foi diagnosticada com transtorno bipolar e enfrentou episódios de depressão severa. Publicou uma autobiografia em 1984, Who’s Sorry Now?, em que relatou os bastidores de sua carreira e os problemas de saúde mental.

Teve ainda outros dramas pessoais. Seu irmão George foi assassinado em 1981, o que agravou sua instabilidade emocional. Tentou o suicídio diversas vezes e se manteve afastada da mídia por longos períodos. Voltou a se apresentar esporadicamente nos anos 90, com shows em cassinos e eventos nostálgicos.

Connie Francis nunca se casou de forma duradoura. Teve quatro casamentos breves e um filho, fruto de inseminação artificial. A maternidade ocorreu já na fase final de sua carreira, quando vivia mais reclusa. Continuou a licenciar seu catálogo musical e participou de algumas reedições e relançamentos.

Apesar das dificuldades, seu legado permaneceu forte. Com mais de 100 milhões de discos vendidos, sua influência pode ser vista em artistas como Linda Ronstadt, Cyndi Lauper e Katy Perry, que já citaram Francis como referência vocal e estética. Suas gravações seguem presentes em trilhas sonoras, comerciais e compilações nostálgicas.

Nos últimos anos, vivia em Las Vegas, longe dos holofotes. Raramente concedia entrevistas e limitava suas aparições públicas. Mantinha um site oficial com atualizações ocasionais e se comunicava com fãs por meio de boletins digitais.

Fenômeno do Tik Tok

Em junho deste ano, a canção Pretty Little Baby, lançada por Connie Francis em 1962, teve um ressurgimento ao viralizar no TikTok. A cantora chegou a usar as redes sociais para agradecer. “Meus agradecimentos a todos pela enorme recepção que deram a Pretty Little Baby. Tenho o prazer de me juntar à comunidade Tiktok e compartilhar esse momento com vocês. Primeira vez que faço lip sync (sincronização labial) com essa minha gravação de 63 anos”, disse em um vídeo.

Segundo a Billboard, a faixa conta com mais de 10 bilhões de visualizações na rede social. A música foi lançada quando a cantora tinha 23 anos de idade. A letra fala sobre uma jovem apaixonada. “Você pode perguntar para as flores / Fico sentada por horas / Contando a todos os passarinhos azuis / Aos pombinhos apaixonados / Meu lindo bebê, estou tão apaixonada por você”, diz um trecho.

Connie Francis foi uma das primeiras cantoras pop a atingir sucesso internacional sem abrir mão do controle artístico. Gravou em diversos estilos, do rock juvenil à música tradicional, e cruzou barreiras linguísticas e culturais. Sua morte encerra um capítulo importante da história da música popular americana.