Metrópole

Metade da população será obesa até 2030, diz Jean Gorinchteyn

05/07/2025 Isabela Marangoni
Fernando Yokota

O Brasil terá metade de sua população obesa até 2030. O alerta é do secretário de Saúde de São Bernardo do Campo (SP), Jean Gorinchteyn, que nesta sexta-feira (4) visitou as dependências do Grupo Brasil Export e a redação do Jornal da Orla. O médico, que foi secretário de Saúde do Estado de São Paulo entre 2020 e 2022 (durante os governos João Dória e Rodrigo Garcia), acredita que o Brasil seguirá uma tendência já revelada para o restante do planeta e projeta a solução em um trabalho voltado para a saúde das crianças.

O alerta para o planeta já havia sido dado pela nova edição do Atlas da Federação Mundial da Obesidade (WOG, em inglês), que alertou para o risco e fez um apelo aos países para aumentarem os esforços no sentido de combater o que a instituição considera uma pandemia. O mesmo alerta foi dado pela National Institutes of Health (NIH), entidade norte-americana que divulgou essa projeção em relação à população dos Estados Unidos.

“Esta é uma grande epidemia que nós temos, uma epidemia silenciosa. Obesidade não é só o aumento do peso, mas o aumento do peso com impacto na saúde. Existem mais de 200 doenças que estão associadas à obesidade. Se a gente imaginar que nós teremos 50% da população, incluindo crianças, nessa faixa, nós vamos sobrecarregar o nosso Sistema Único de Saúde, que hoje já é comprometido”, diz o secretário. A obesidade está ligada a doenças crônicas, como câncer, diabetes e hipertensão, além de problemas cardiovasculares.

Jean Gorinchteyn acredita que é necessário iniciar um trabalho imediato com as crianças, evitando, desta maneira, que os futuros adultos confirmem tais projeções. “A gente sabe que a elevação do peso diminui 10 anos de vida para toda a população e nós temos que fazer com que os nossos jovens tenham saúde. É sempre uma associação com o programa da saúde na escola, com as orientações, com as merendas balanceadas, com o impedimento de que tragam bolachinhas, guloseimas e que a refeição seja algo diferente. Nós precisamos entender que isso é multissetorial”.

O secretário aponta, inclusive, medidas econômicas nesse sentido. “Nós precisamos diminuir impostos de alimentos saudáveis, de carne, de queijos, de frutas, legumes e verduras, estimular a agricultura local, fazendo então com que pequenos proprietários não tenham seus atravessadores. Uma alimentação de qualidade mais acessível para a população. A gente não vai impedir as pessoas de comerem um chocolatinho, de um salgadinho, mas elas também não podem fazer isso a frequência que têm”.

 

Pessoas com TEA ganham atenção especial em espaço multidisciplinar

Outro ponto de atenção em São Bernardo do Campo está nas pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em busca da necessidade de abordagem e da qualificação, a cidade do ABC Paulista ampliou o TEA-COLI, melhorando as condições de atendimento. Os resultados já estão sendo detectados, tanto que o serviço irá mudar para um ambiente maior, o CER4. “É nosso centro especializado em reabilitação e vamos dar a condição que esse atendimento seja multidisciplinar. O número de pessoas ali (no primeiro imóvel) registradas era muito pequeno. Nós não tínhamos um número adequado de pacientes que deveriam estar seguindo naqueles tratamentos. Então, com esse centro especializado em reabilitação, a gente vai ter fono, fisioterapeuta ocupacional, todos os espaços.

O secretário não crê que o atendimento convencional seja o adequado para este público. “A criança tem que estar pertinho da casa dela, tem que ter um acompanhamento também muito mais próximo. Então, nós estamos nos utilizando de investimentos para que nós tenhamos vários pontos além desse na própria cidade”.

O Município também ofereceu um curso que foi dado a todos os dentistas, técnicos e auxiliares de saúde bucal para o devido atendimento de crianças, adolescentes e adultos com TEA. A ideia foi justamente humanizar o tratamento.

“Muitas vezes, durante o tratamento, você precisa criar um vínculo, ter a segurança por parte desse pacientezinho, ter tranquilidade. Vai muito além de só colocar o paciente na cadeira, abrir a boca e tratar uma cárie. Muitas vezes essas crianças precisam fazer tratamentos mais extensos, até porque chegam com alterações dentárias muito maiores, com comprometimento maior e que não dá para ser feito numa unidade convencional. E o funcionário tem que estar preparado. Então, tudo isso tem sido feito de uma forma muito humana, não só técnica”.

 

Por imunização, vacinas podem ir até as pessoas

Jean Gorinchteyn demonstra uma preocupação que vai além da questão da obesidade. O secretário diz que há uma recuperação em relação ao público contrário à aplicação de vacinas, que já estaria em menor número. Porém os índices seguem abaixo do esperado. Isso motiva o médico a intensificar programas que levem as doses às pessoas.

“Eu tenho pessoas que incorrem ao risco de trazer (para vacinar), mas preciso manter a minha população imunizada. E nós entendemos que, muitas vezes, o fato das pessoas não levarem seus filhos está relacionado ao horário de expediente das nossas unidades de vacinação. Por isso, ir ao encontro dessas pessoas, especialmente dos adultos, é fundamental, por meio do vacimóvel”.

Para a população infantil, o secretário é defensor da vacinação nas escolas. “Com autorização dos pais. Isso vem resgatando os índices pré-pandemia, em que os números eram melhores para certos componentes vacinais”.

Essa preocupação com a aplicação de vacinas também existe em Santos. Em entrevista ao programa Orla Notícias, pela Rádio Santos FM (92,5 Mhz), o secretário de Saúde da Cidade, Fábio Lopez alertou para a baixa adesão à vacina contra a dengue.

“Isso nos frustra bastante. Tivemos mais de 5.300 casos em Santos no ano passado e quatro óbitos. Não é porque o número de mortes foi baixo que devemos relativizar o problema. A imunização exige duas doses, com intervalo de 90 dias”.