
A nave estelar USS Enterprise está de volta com a terceira temporada de Star Trek – Strange New Worlds, que estreia em julho no Paramount+. A série, uma das mais elogiadas da fase recente da franquia criada por Gene Roddenberry, retoma sua missão de explorar mundos desconhecidos mantendo o formato clássico de episódios com histórias fechadas, modelo que consagrou o universo Star Trek desde os anos 1960.
Lançada em 2022, Strange New Worlds acompanha as aventuras do capitão Christopher Pike e sua tripulação, em um período anterior aos eventos da série original. A proposta é revisitar o espírito das jornadas semanais, com episódios independentes em tom e estrutura, alternando drama, humor, mistério e ficção científica clássica, sem a dependência de uma narrativa seriada contínua. A aposta tem funcionado bem: as duas primeiras temporadas foram celebradas por fãs antigos e novatos, especialmente pela qualidade dos roteiros e pela construção dos personagens.
Na primeira temporada, acompanhamos a apresentação da tripulação e os primeiros contatos com espécies inéditas, dilemas éticos e ameaças cósmicas, em tramas que mesclam ação e filosofia. A segunda temporada, exibida em 2023, ousou ainda mais, incluindo um episódio musical e um crossover com a série animada Lower Decks, sem abandonar o foco em temas universais e personagens em evolução. O último episódio terminou com um gancho envolvendo o confronto com os Gorn, raça alienígena já conhecida dos trekkers.
A nova temporada deve retomar essa linha de eventos, mas mantendo a estrutura episódica, com capítulos que funcionam isoladamente. Os produtores já adiantaram que haverá novos planetas, mais mistérios e um tom equilibrado entre tensão e leveza. Uma das apostas é o retorno de vilões clássicos, além de uma trama envolvendo inteligência artificial que desafia os princípios da Federação.
Episódio fechado
Em um cenário de produções cada vez mais baseadas em arcos longos e complexos, a volta do formato de episódios com começo, meio e fim tem sido um dos grandes trunfos de Strange New Worlds. Isso permite ao público entrar na série em qualquer ponto, reduz o cansaço de tramas arrastadas e retoma uma das marcas fundamentais da ficção científica televisiva: a capacidade de criar parábolas morais, sociais e filosóficas em forma de aventura.
A estrutura favorece ainda a experimentação formal: há episódios mais introspectivos, outros voltados à ação ou à comédia, sempre mantendo a identidade do universo criado por Roddenberry. A fórmula se aproxima do modelo antológico, mas com personagens fixos e continuidade emocional.
A história de Star Trek começou em 1966, com a série original protagonizada pelo capitão James T. Kirk (William Shatner), o oficial de ciências Spock (Leonard Nimoy) e o médico Leonard McCoy (DeForest Kelley). A bordo da primeira USS Enterprise, eles enfrentavam ameaças espaciais enquanto refletiam sobre dilemas humanos, sempre com uma visão otimista sobre o futuro da humanidade. Spock tornou-se o símbolo da racionalidade e da ciência, em contraste com o impulso e a emoção representados por Kirk e McCoy.
Nos anos 1970, Star Trek: The Animated Series (1973–1974) trouxe novas histórias com a mesma tripulação, agora em animação. Em 1987, foi lançada The Next Generation, com o capitão Jean-Luc Picard (Patrick Stewart) à frente da nave Enterprise-D. Aqui, o papel racional passou ao androide Data (Brent Spiner), enquanto a série expandia o universo com tramas mais políticas e filosóficas.
Em 1993, estreou Deep Space Nine, ambientada numa estação espacial comandada pelo capitão Benjamin Sisko (Avery Brooks). A série aprofundou conflitos religiosos e diplomáticos, em um cenário mais estático, mas repleto de tensão. A voz lógica e científica era representada por Jadzia Dax, uma oficial trill que abrigava múltiplas consciências.
Dois anos depois veio Voyager, com a capitã Kathryn Janeway (Kate Mulgrew) no comando de uma nave perdida no quadrante Delta, tentando retornar à Terra. O papel racional cabia ao vulcano Tuvok, e os conflitos eram marcados pelo isolamento e pelos dilemas de convivência com tripulações distintas.
Em 2001, surgiu Enterprise, uma prequela ambientada antes da série original. O capitão Jonathan Archer (Scott Bakula) liderava uma nave ainda em fase inicial de exploração espacial. A oficial científica T’Pol, uma vulcana, cumpria a função analítica e disciplinadora típica dos “Spocks” da franquia.

Múltiplos formatos
Com o retorno da franquia a partir de 2017, Discovery foi a primeira nova série após mais de uma década, centrada na oficial Michael Burnham (Sonequa Martin-Green), em uma narrativa mais serializada. A série começou antes da era Kirk, mas, com o passar das temporadas, avançou no tempo e passou a explorar o século XXXII. O papel lógico foi primeiro exercido por Saru (Doug Jones), e depois pelo retorno de Spock, vivido por Ethan Peck.
Além de Strange New Worlds, que deriva diretamente de Discovery, outras séries expandiram o universo recente: Picard, com três temporadas (2020–2023), focou nos últimos anos de vida do capitão Jean-Luc; Lower Decks, animação em tom cômico, explora a vida de oficiais subalternos com muitas referências internas; e Prodigy, voltada ao público infantojuvenil, acompanha um grupo de adolescentes que encontra uma nave da Federação e tenta aprender seus valores.
O novo Spock
Em Strange New Worlds, Ethan Peck dá continuidade ao legado de Spock, agora jovem oficial sob o comando de Pike, interpretado por Anson Mount. A relação entre razão e emoção, ciência e intuição, continua a ser explorada, mas com nuances contemporâneas. A presença da cadete Nyota Uhura (Celia Rose Gooding), do engenheiro Hemmer e da oficial La’an Noonien-Singh também amplia o leque de personalidades e conflitos a bordo.


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