Cena

‘Martina e a Caixa da Raiva’ fala sobre sentimentos para as crianças

02/06/2025 Isabela Marangoni
Divulgação

Você já imaginou como um livro infantil pode trazer assuntos tão relevantes para os pequenos quanto um sentimento tão poderoso quando a raiva ou frustração? A agente da Secretaria de Cultura de Santos Marina Oliveira traduziu esses sentimentos perfeitamente em seu novo livro “Martina e a Caixa da Raiva”.

A história surgiu a partir do próprio processo de autoconhecimento da autora, que também é mãe de Caetano, de seis anos. Marina conta que a maternidade e seu trabalho diário com o público infantil na biblioteca municipal Mário Faria, no bairro da Aparecida, foram fundamentais para o surgimento da narrativa. “Mais do que falar sobre raiva, eu queria abordar o autoconhecimento, um caminho que tenho trilhado há anos. A maternidade me trouxe uma nova perspectiva sobre como educar emocionalmente uma criança”, explica.

MARTINA, A GUERREIRA DO AMOR

Assim nasceu a história de Martina, uma personagem corajosa e atrevida, cujo nome vem de “Martin” — um termo relacionado à guerra, mas aqui ressignificado como uma guerreira do amor. A metáfora central do livro é a “Caixa da Raiva”: uma caixa com uma lente vermelha que Martina usa quando está com raiva. “Quando ela coloca a caixa, tudo ao seu redor muda de cor — o mundo fica vermelho. Isso representa como o nosso estado interno altera a forma como vemos o mundo”, explica. A autora usou essa imagem lúdica para falar de empatia e da importância de entender as próprias emoções de forma acessível ao universo infantil. “Quis mostrar como nosso estado interno influencia diretamente a forma como enxergamos o mundo exterior”, completa.

UNIVERSO LÚDICO

A história também é atravessada por uma brincadeira universal: o esconde-esconde. A autora escolheu essa dinâmica justamente por ser familiar a todas as crianças. A partir daí, a narrativa se desenvolve com delicadeza, propondo uma reflexão emocional sem deixar de ser divertida.

A autora revela que a escrita do livro levou nove meses, o equivalente a uma gestação. “Foi um processo de nascimento”, comenta, com humor. Marina já testou a história com crianças e adultos, e se surpreendeu com o impacto que causou nos leitores mais velhos. “Muitos adultos se reconheceram nas emoções da Martina. Isso mostra que o livro fala de algo universal: como lidamos com nossos sentimentos”. Além do livro, a autora confeccionou uma bonequinha que representa Martina e está finalizando a própria Caixa da Raiva, para usar em contações de histórias.

Para Marina, o livro marca apenas o início de uma nova fase. Embora não pense em transformar a história em uma série, como sugeriu seu filho Caetano com ideias como “Martina e a Caixa da Tristeza”, a autora já trabalha em uma nova narrativa infantil. “Ainda não é uma continuação, mas é um novo projeto nascendo”.