
No próximo fim de semana, de 23 a 25 de maio, Santos será palco da estreia de mais uma criação autoral do ator e diretor Luiz Thomas, que há 40 anos dedica-se ao teatro e, nos últimos dez, também à dramaturgia. O novo espetáculo “Um Velório Muito Louco” promete arrancar risadas do público ao tratar de um tema delicado com irreverência e profundidade: a morte.
Como o próprio nome já sugere, a peça é uma comédia que se passa durante um velório pouco convencional. “Começa com uma aura de drama. Os primeiros 90 segundos são solenes, com trilha de jazz e uma fala em off sobre quem foi o falecido, um homem admirado. Mas logo a comédia se instala, com personagens excêntricos e situações inesperadas”, explica Luiz.
A ideia da peça, segundo o diretor, veio de forma intuitiva. “Não tem uma inspiração direta. Eu sou muito ligado em física quântica e tenho essa sensação de que sou uma antena que capta ideias”, conta. Desde que começou a escrever para o teatro, Luiz já criou 15 textos, todos encenados por ele como diretor, ator ou ambos.
A construção dos personagens segue um processo colaborativo com o grupo de teatro que ele mantém. “Eu proponho as personagens principais — como a viúva, as filhas, o padre — mas deixo espaço para o elenco criar também. Nos primeiros dois meses, fazemos uma espécie de workshop seletivo, onde observo quem se encaixa melhor em cada papel. Às vezes adapto personagens de acordo com o tipo físico, idade, etnia”.
Mesmo dirigindo e atuando ao mesmo tempo, Luiz garante que hoje isso já é natural. “No começo era mais difícil, mas percebi que prefiro estar em cena. Quando fico na plateia, sofro. Tenho a peça perfeita na cabeça e qualquer desvio me incomoda, mesmo que o público não perceba”, diz.
COMÉDIA COM CRÍTICA SOCIAL
Embora o riso seja o foco, a peça carrega uma reflexão crítica sobre a hipocrisia social. “A comédia nasce da crítica ao drama. Uma tragédia pode ser cômica se bem trabalhada. Eu quis abordar como, muitas vezes, em situações de dor, as pessoas mantêm aparências. O velório se transforma em festa, surgem segredos e tudo vira uma grande confusão”.
Durante os ensaios com plateia reduzida, o grupo testa as piadas e ajusta os tempos de fala. “A risada tem um ritmo. Você precisa esperar o volume cair para continuar, senão corta a reação. A gente aprende isso no processo”, revela.

ESTREIA SEM PATROCÍNIO, MAS COM PAIXÃO
A peça estreia em Santos e deve circular por Praia Grande e Guarujá. Luiz revela que o projeto é todo feito “no suor”, sem patrocínio financeiro. “Se não vender ingresso, eu levo prejuízo. Temos apoio pontual, para gráfica e internet, mas não dá para bancar viagens a São Paulo, por exemplo”.
Mesmo assim, o grupo mantém um público fiel. “Graças a Deus, em Santos tenho um público grande. Quem conhece o nosso trabalho, vai para rir. Estreamos uma outra comédia há 40 dias e foi um sucesso”, conta.
Para quem ainda está em dúvida sobre assistir à estreia, Luiz é direto: “Se você quer rir de verdade, vá. Não vai se arrepender. É uma comédia muito boa, com alma, com crítica e com entrega de todo o elenco”.


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