Cena

Livro aberto por D. Pedro II está em exposição na Associação Comercial

18/09/2025 Isabela Marangoni
Divulgação/ACS

Um dos mais importantes tesouros documentais da história de Santos e do Brasil ganha destaque na Associação Comercial de Santos (ACS). Para celebrar os 150 anos do Livro de Ouro, a entidade promove, durante todo o mês de setembro, uma exposição especial no tradicional Salão de Mármore de sua sede, no Centro Histórico. A visitação é gratuita e aberta ao público até o final do mês, de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas.

O Livro de Ouro foi aberto em 30 de agosto de 1875 pelo imperador Dom Pedro II, durante visita à ACS. Desde então, registra a passagem de grandes personalidades da política, da cultura e da economia do país. Entre os signatários estão o próprio imperador — que assinou o livro em três ocasiões: 1875, 1878 e 1886 —, a imperatriz Teresa Cristina e diversos nobres do Segundo Império. “São poucos os lugares em Santos que guardam assinaturas de figuras históricas. Quando percebi que o livro completaria 150 anos, vi a oportunidade de destacar sua importância e relembrar os grandes nomes que passaram pela Associação”, explica Sérgio Willians, curador da mostra.

No período republicano, o Livro de Ouro seguiu recebendo nomes de peso. Entre eles, presidentes como Wenceslau Braz, Epitácio Pessoa, Washington Luís, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Eurico Gaspar Dutra, Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff; além de governadores paulistas como Ademar de Barros, Laudo Natel, Júlio Prestes, Orestes Quércia, Mário Covas, Geraldo Alckmin e Tarcísio de Freitas.

O documento também reúne assinaturas de ministros, deputados, cônsules, embaixadores, representantes de comitivas estrangeiras ligadas ao café e a outros setores econômicos, além de personalidades do esporte e da cultura. Hoje, já são três volumes: o primeiro vai até a década de 1950, o segundo foi rapidamente preenchido e o terceiro segue em uso.

A exposição reúne 14 painéis com reproduções de assinaturas e imagens dos visitantes. “Figuras históricas como Dom Pedro II, a imperatriz Teresa Cristina e presidentes da República ganharam painéis individuais. Já governadores e outras autoridades aparecem em painéis coletivos. A ideia foi valorizar quem teve maior peso político e histórico”, conta o curador.

Alguns registros vêm acompanhados de fotografias originais das visitas à ACS, como as de Juscelino Kubitschek e Eurico Gaspar Dutra. Outras imagens foram resgatadas em arquivos públicos ou agências de notícias. “Nem todos foram fotografados. No caso de Dom Pedro II e Rui Barbosa, usamos imagens de domínio público”, explica Sérgio.

Entre as curiosidades, destaca-se a forma inusitada como o imperador assinava. “Todo mundo aprende a escrever D. Pedro II em algarismo romano. Mas ele assinava ‘D. Pedro 2º’, usando o número dois arábico com bolinha. Está lá no painel para todos verem. É sensacional”, revela.

Além dos painéis, o público pode conferir uma réplica do Livro de Ouro.

Patrimônio histórico

Para o presidente da ACS, Mauro Sammarco, a obra é mais que um patrimônio da Cidade. “Ao reunir assinaturas de autoridades e personalidades de vários períodos, o Livro percorre a trajetória do Brasil, do Império à República, e revela a importância política e institucional da Associação Comercial e de Santos para o país”.

Ele lembra ainda que o Salão de Mármore vem se consolidando como espaço cultural da cidade, ao receber mensalmente exposições variadas que ajudam a preservar a memória da região e estimulam a circulação de pessoas pelo Centro Histórico, hoje em processo de revitalização.

Para Sérgio Williams, a mostra também resgata um gesto carregado de afeto e simbolismo. “Esta exposição reúne 150 anos de assinaturas que revelam parte da história de Santos e do Brasil”, afirma. “Apresentar essas páginas ao público é contar a própria história do país por meio de traços manuscritos, evidenciando a relevância institucional e política da Associação Comercial de Santos, protagonista da praça cafeeira junto ao maior porto da América Latina”, acrescenta o jornalista, que também assina a curadoria da exposição.