
No Canal 6, uma portinha discreta entre as casas abriga um espaço onde histórias e encontros ganham protagonismo. À frente da Livraria Sol & Lua (Av. Cel. Joaquim Montenegro, 53), as irmãs Bruna e Fernanda Reis transformaram uma inquietação pessoal em projeto cultural: um refúgio para crianças e famílias em meio à rotina acelerada e ao excesso de telas.
Desde que abriu as portas, em dezembro de 2025, a livraria vem se consolidando não apenas na venda de livros, mas como um lugar de convivência. Ali, leitores mirins circulam com autonomia, exploram as estantes e constroem, pouco a pouco, uma comunidade que cresce a cada dia.
A experiência como mãe influencia diretamente o projeto. Bruna lembra do filho, Rio, que criou o hábito de dormir sempre com uma história. “Teve uma fase em que ele só dormia com o mesmo livro, todas as noites. Isso mostra o vínculo que a leitura cria — é rotina, é afeto”.
Esse olhar orienta o conceito da livraria, pensada para respeitar o tempo e a autonomia das crianças. “Escutamos muito ‘não toca’, ‘vai quebrar’. Aqui é o contrário: é para tocar, explorar, escolher”, explica Fernanda. “Às vezes a criança chega e vai brincar antes de pegar um livro. Está tudo bem. É o tempo dela”.
Especializada em literatura infantojuvenil, a Sol & Lua também surge como resposta a uma lacuna. “Normalmente esse tipo de livro ocupa um cantinho dentro de livrarias voltadas ao público adulto. Quisemos inverter essa lógica”.
O nome da livraria reflete essa proposta. “Sol e Lua fala de dualidade, de complementaridade, mas também de pertencimento. É um convite para lembrar que estamos todos sob o mesmo céu”, afirma Bruna.
Espaço cultural
Mais do que livraria, o espaço vem se firmando como um polo cultural no bairro. No próximo sábado (28), às 17h, será lançado o Clube do Livro Eclipse, com mediação da escritora Vanessa Ratton e leitura da obra Uma Menina Detetive. “A ideia não é cobrar leitura nem testar a criança. É despertar o prazer. Se leu um capítulo, ótimo. Se não leu, vem, escuta, participa”, explica Bruna. As inscrições podem ser feitas pelas redes sociais da @livraria_solelua.
Outras atividades também estão em desenvolvimento, como sessões de curtas-metragens. “A tela também pode ser cultura, desde que tenha propósito. Queremos oferecer experiências”, diz.
Rotina
Em uma região cercada por escolas, a livraria rapidamente passou a integrar a rotina das famílias. “As crianças saem da escola e vêm para cá. A gente começa a conhecer todo mundo — filhos, pais, avós. Vai se formando uma comunidade”, diz Fernanda.
Muitos dos livros disponíveis já passaram pelas mãos dos filhos de Bruna, que funcionam como primeiros leitores e críticos. A seleção combina experiências pessoais, referências pedagógicas e trocas com outras livrarias.
Para o primeiro ano, o objetivo é claro: criar raízes. “Queremos ser um lugar de confiança, onde as pessoas venham não só para comprar um livro, mas para passar uma tarde”, afirma Bruna.


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