Cena

Leilane: o “até logo” de uma das vozes mais elegantes do jornalismo

09/07/2026 Gustavo Klein
João Cotta/Globo

Durante quase cinco décadas, Leilane Neubarth fez parte da rotina de milhões de brasileiros. Em dias de grandes acontecimentos ou nas notícias que moldavam o cotidiano, sua voz serena e seu estilo discreto ajudaram a construir uma relação rara de confiança com o público. Nesta semana, a jornalista anunciou que está deixando o jornalismo diário, encerrando um ciclo de 47 anos de carreira — uma despedida que emociona colegas e telespectadores, mas que também convida à celebração de uma trajetória exemplar.

Leilane começou na TV Globo no fim da década de 1970 e percorreu praticamente todas as etapas da profissão. Foi repórter, apresentadora e âncora de alguns dos principais telejornais da emissora e da GloboNews. Cobriu momentos decisivos da história recente do Brasil e do mundo sem jamais abrir mão da elegância, da precisão e do respeito à notícia.

Em uma televisão que, muitas vezes, premiou o excesso e o espetáculo, Leilane seguiu outro caminho. Nunca precisou elevar o tom para transmitir credibilidade. Sua marca sempre foi a calma diante dos fatos, a escuta atenta e a capacidade de informar sem transformar o jornalista em protagonista da história.

Sua despedida do Conexão GloboNews teve o mesmo tom que definiu sua carreira: sincero, afetuoso e sem alarde. Ela deixa a rotina diária das redações, mas não a profissão. Novos projetos já estão no horizonte, sinal de que a curiosidade e a paixão pelo jornalismo continuam intactas.

A saída de Leilane Neubarth simboliza também a despedida de uma geração que ajudou a consolidar o telejornalismo brasileiro como referência de qualidade. Ao lado de nomes que marcaram época, ela contribuiu para formar um padrão de informação baseado na responsabilidade, na apuração rigorosa e na confiança do público.

Poucos jornalistas conseguem atravessar quase meio século mantendo o prestígio, a relevância e o carinho dos telespectadores. Leilane conseguiu. Sua história não é apenas a de uma profissional brilhante, mas a de alguém que fez da informação um compromisso diário e da televisão um espaço de diálogo com o País.

O jornalismo perde uma de suas vozes mais elegantes. O público, porém, permanece com um legado construído reportagem após reportagem, telejornal após telejornal, ao longo de 47 anos que ajudaram a contar a história do Brasil.