Esportes

Jovem de 14 anos encontra na família a base para evoluir na natação

19/04/2026 Matheus Vieira
Fernando Yokota/Jornal da Orla

Luisa Rabotzke se destaca nas provas longas enquanto equilibra escola e competições

A rotina de um atleta transforma a vivência não só dele, mas de todos ao seu redor, ainda mais quando se é um jovem talento como Luisa Rabotzke Ferreira, que, aos 14 anos, já tem destaque nas provas longas de natação.

Hoje parte do time Unisanta, a atleta começou sua jornada nas águas aos 10 anos e agora tem de conciliar os estudos com a vida competitiva. “É bastante difícil e a carga ficou ainda maior neste ano. Antes, o treino era só de duas horas, agora passou a ser quatro. É desgastante, sim. Agora estudo aqui no Santa e passo o dia aqui, volto para casa às 19h e aí já chego para dormir, essencial para a rotina. As competições aumentam no segundo semestre e aí é que complica mais”, explica.

Sempre acompanhada dos pais, Sérgio e Flávia, Luísa sai todos os dias da Esplanada dos Barreiros, em São Vicente, para buscar a transformação de sua vida por meio do esporte. Os dois relatam as mudanças feitas para proporcionar o melhor cenário para o crescimento da filha. “Tudo nós vamos adaptando. Eu não trabalhava, passei muitos anos sem trabalhar e voltei para poder proporcionar um aporte financeiro maior, ela não tem um apoio propriamente dito. Este ano, ela ganhou a bolsa aqui no Santa, nós buscamos o programa Bolsa Atleta também, mas eu voltei a trabalhar para ajudar nos custos”, conta a mãe, que hoje atua como auxiliar administrativa. “Precisamos adaptar o dia a dia, né?! Fazer marmita, manter o acompanhamento com nutricionista… Em casa, as coisas giram em torno da natação”, completa a mãe.

Já o pai, aposentado, acaba acompanhando a rotina um pouco mais de perto. “A mudança é sempre positiva. Ela começou no balé e nós achamos que ela poderia fazer mais esportes, colocamos na natação, no JEPOM, onde ela se destacou e a professora Áurea a indicou aqui para o Santa, e nossa vida mudou completamente. Desde então, batalhamos para estar sempre com ela, cobrando e dando o melhor cenário possível para ela desempenhar”, conta. Sérgio também fala do orgulho que sente em poder ver a filha fazendo o que gosta. “É um sentimento que só quem tem, sabe. É muito gratificante quando você vem torcer, vem vibrar e vê que o filho está indo pelo caminho certo”, diz. “Essa dedicação diária dela deixa a gente feliz, ver o esforço que ela faz para baixar o tempo. Quando podemos ver o resultado no campeonato, é realmente gratificante. Quando tem troféu, medalha, a mãe chora, vai atrás da filha… enfim, é gratificante”, completa Flávia.

Amizades

Imersa no esporte, Luísa criou um círculo social de esportistas, o que ajuda a aliviar a rotina pesada. “A maioria, para não dizer todos, dos meus amigos são do esporte, sejam daqui do Santa ou de outras equipes. Nós passamos quase o tempo todo falando de treino, na verdade, mas, aos fins de semana, é quando desligamos um pouco (risos). Aí vamos à praia, por exemplo, buscamos nos divertir”, conta.

Foco total

Atraída pelas provas longas, ela conta com a vantagem da envergadura maior para buscar os resultados. “Quando eu comecei, as provas eram todas de velocidade (50 e 100m livres), mas, pela minha altura e envergadura, eu acabava ficando mais lenta que os outros, mesmo com muito esforço. E já tinham me aconselhado a testar as provas de fundo; quando testei, foi quando fiz meus melhores tempos. Já na segunda vez que fiz 1.500m, no Brasileiro, na Bahia, em 2024, quando eu medalhei, eu abaixei um minuto no meu tempo. Desde então, já consegui quatro medalhas consecutivas nessa prova”, relembra.

Com todo esse cenário favorável, Luísa pode focar no que realmente importa: melhorar dentro da piscina, visando disputar o Troféu Maria Lenk, a principal competição de natação do país, nas provas de 1.500m e 800m. “Começo do semestre é o momento de buscar abaixar os índices, buscar melhorar a técnica. Minha preocupação maior é sempre o desempenho no treino”, afirma. “É preciso trabalhar a paciência, a consistência e estar com a técnica em dia para concentrar e entrar na prova preparada para nadar quase 20 minutos sem perder o ritmo”, finaliza.