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Hoje é o Dia do Brigadeiro! Conheça a história do doce símbolo do Brasil

10/09/2025 Isabela Marangoni
Reprodução Pexels

Fácil de preparar, irresistível ao paladar e presença obrigatória em festas de todos os tipos, o brigadeiro é um verdadeiro ícone da gastronomia brasileira. Tanto que ganhou um dia só para ele: 10 de setembro é celebrado o Dia do Brigadeiro.

O doce, feito com leite condensado, chocolate em pó e manteiga, surgiu nos anos 1940, quando a confeiteira carioca Heloísa Nabuco de Oliveira criou a receita para arrecadar fundos para a campanha presidencial do brigadeiro Eduardo Gomes. Batizado de “doce do brigadeiro”, logo conquistou fama e se tornou presença indispensável nas comemorações brasileiras.

Hoje, é símbolo da doçaria nacional, atravessando gerações com seu sabor único e versatilidade. Das festas infantis às versões gourmet, o brigadeiro se reinventa constantemente, sem perder sua essência afetiva.

Nascido da política

A história do brigadeiro começa em um contexto inusitado: a política. Em 1945, o país vivia o período de redemocratização após o Estado Novo, e Eduardo Gomes, militar de carreira e herói da Revolução de 1922, se lançou candidato à Presidência da República. Jovem, bonito e solteiro, ele rapidamente se tornou uma figura carismática, atraindo a atenção da sociedade.

Para financiar a campanha, um grupo de mulheres da alta sociedade carioca organizou bazares e chás beneficentes. Foi nesse ambiente que Heloísa Nabuco de Oliveira apresentou um doce simples, prático e barato, feito com ingredientes acessíveis da época. O sucesso foi imediato. Não apenas ajudou na arrecadação de fundos, mas conquistou o paladar de quem provava aquela novidade.

O nome “doce do brigadeiro” acabou se impondo naturalmente, em referência ao candidato que lhe deu origem. Eduardo Gomes não venceu a eleição, mas o doce que carregava seu título militar conquistou algo ainda maior: o coração dos brasileiros.

Nas festas

Com o passar dos anos, o brigadeiro se popularizou em festas de aniversário, casamentos e celebrações escolares. Parte disso se deve à praticidade da receita: poucos ingredientes, preparo rápido e baixo custo. Outro fator essencial foi o apelo afetivo, pois, ao lado do bolo e dos refrigerantes, o doce passou a simbolizar infância, partilha e confraternização.

Nos anos 1970 e 1980, com a popularização das festinhas em salões de prédios e buffets infantis, o brigadeiro firmou-se como presença obrigatória. Em bandejas cobertas de forminhas coloridas, enfileirados ao lado de beijinhos e cajuzinhos, eles viraram personagens principais de um ritual coletivo: as crianças corriam para a mesa assim que o “parabéns” acabava, em busca da primeira mordida.

Mais do que alimento, o brigadeiro ganhou contornos de memória afetiva. Basta alguém lembrar da infância que a lembrança do docinho enrolado em granulado de chocolate quase sempre surge como protagonista.

Clássico e gourmet

Se no início a receita se limitava ao leite condensado, chocolate em pó e manteiga, hoje a realidade é outra. O universo do brigadeiro se expandiu e passou por uma reinvenção criativa.

Surgiram as versões gourmet, que utilizam chocolates de maior qualidade, como meio amargo ou belga, e substituem o granulado comum por confeitos mais sofisticados, como raspas de chocolate, pistache triturado ou castanhas caramelizadas. Também há variações de sabores: brigadeiro de churros, paçoca, pistache, limão-siciliano, café e até caipirinha. A imaginação dos confeiteiros não tem limites.

Nas últimas duas décadas, lojas especializadas em brigadeiros se espalharam por grandes cidades brasileiras, transformando o doce em protagonista de negócios lucrativos. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e até em Santos, é possível encontrar boutiques que vendem o doce em caixas elegantes, embalado como presente. O brigadeiro, que antes era apenas um símbolo de simplicidade, ganhou status de sobremesa refinada, capaz de figurar em casamentos luxuosos e eventos corporativos.

Identidade brasileira

A força do brigadeiro ultrapassou fronteiras. Brasileiros que vivem no exterior costumam levar o doce como cartão de visitas da gastronomia nacional. Não à toa, tornou-se presença em eventos culturais promovidos por consulados e associações brasileiras em diferentes países.

Pesquisadores da gastronomia apontam que o brigadeiro se transformou em um dos principais símbolos da identidade cultural brasileira, ao lado da feijoada, da caipirinha e do pão de queijo. Ele sintetiza características do país: simplicidade, alegria, afeto e criatividade.

Em Santos, assim como em diversas cidades brasileiras, o Dia do Brigadeiro é celebrado como um reconhecimento à importância cultural desse doce. Para muitos, é impossível pensar em festa sem a presença dele. Seja enrolado à mão, com granulado de chocolate tradicional, ou servido em potinhos com colher, o brigadeiro se mantém como sinônimo de celebração e afeto.

Ações para celebrar o Dia do Brigadeiro

Em Santos, duas confeitarias aproveitaram a data para lançar receitas especiais e promoções criativas: a Brigmores Brigadeiros, de Tânia Santamaria, e a Madalena Brigadeiros, de Roberta Torre.

Fundada em plena pandemia, em 2020, a Brigmores nasceu da tradição familiar de Tânia, que transformou a paixão pelos doces em negócio. “Minha mãe sempre fazia brigadeiros para nossas festinhas. Durante o isolamento, pensei em vender pelo Instagram. Foi sucesso imediato”, lembra.

Com foco em personalizações, a confeitaria já criou brigadeiros inspirados em temas como Roblox, Mickey e até Doramas. Para Tânia, o vínculo afetivo é tão importante quanto o sabor. “Minha casa ainda tem o cheiro da minha infância, dos doces da minha mãe”.

Para marcar a data, a Brigmores lançou um desafio aos clientes: postar fotos ou vídeos mostrando seu amor pelo brigadeiro da marca, marcar o perfil @brigmoresbrigadeiria e participar de uma enquete. O conteúdo mais votado ganhará uma caixa especial de doces. “Na quinta, dia 11, é meu aniversário, mas quem vai ganhar o presente serão os clientes”, brinca Tânia.

Já a Madalena Brigadeiros, que acaba de completar 15 anos, celebra com uma ação lúdica. Pioneira na gourmetização do doce na cidade, a marca surgiu em 2010 pelas mãos da jornalista Roberta Torre, que começou atendendo casamentos e eventos quando ainda não havia um mercado consolidado para o “brigadeiro gourmet”. O sucesso levou à abertura de ateliê, loja e novas unidades.

Hoje, o cardápio soma mais de 35 sabores, incluindo opções sem lactose, veganas, funcionais, fit e até versões para pets. “A ideia é que todos possam aproveitar: crianças, avós, veganos e até quem chega acompanhado de cachorro”, explica Roberta.

Para o Dia do Brigadeiro, a marca preparou um lote especial com recheios dourados-surpresa. Quem encontrar um deles ganha outro brigadeiro na hora, podendo escolher qualquer sabor. Algumas unidades também terão forminhas diferenciadas, para garantir a participação de todos na brincadeira.

A experiência se estende às redes sociais: para validar o prêmio, o cliente deve postar foto ou vídeo do brigadeiro dourado e marcar o perfil @madalenabrigadeiros.

Receita de Michele Uemura

Ingredientes: 1 lata de leite condensado, 1 caixinha de creme de leite, 5 colheres de sopa de cacau 50 por cento e granulado para confeitar.

Preparo: misture todos os ingredientes e leve ao fogo mexendo sem parar. Para brigadeiro de colher retire do fogo quando a massa começar a desgrudar das laterais da panela. Para brigadeiro de enrolar, retire do fogo quando a massa desgrudar do fundo da panela. Para enrolar o brigadeiro, umedeça a mão com água, faça as bolinhas e passe no confeito. O uso do creme de leite na massa deixa o brigadeiro menos doce e mais macio.