Cena

História do funk santista é resgatada em novo livro

08/10/2025 Da Redação
Divulgação

Do alto dos morros santistas, o som que pulsa nas vielas ganhou o país — e agora ecoa pelo mundo. Nesta quinta-feira, 9 de outubro, às 19h, essa trajetória será celebrada com o lançamento do livro A História do Funk Santista – A Arte Santista Protagonista no Brasil e no Estado de São Paulo, escrito pelo historiador e pesquisador Diego Turato. O evento acontece na Estação da Cidadania, na Avenida Ana Costa, 340, em Santos, com entrada gratuita.

O funk santista é mais do que um gênero musical: é uma expressão cultural que transformou a realidade de milhares de jovens e redesenhou o mapa da música brasileira. Com batidas aceleradas, letras que narram a vida nas comunidades e uma estética própria, o estilo se consolidou como uma das vertentes mais autênticas do funk paulista.

A história começa nos anos 2000, quando os morros de Santos, como São Bento, Nova Cintra e Rádio Clube, viraram palco de improvisos, rimas e caixas de som. Influenciado pelo funk carioca, o estilo santista ganhou identidade própria: batidas de 150 BPM, letras que misturam ostentação, crítica social e vivência periférica.

Sem acesso a estúdios profissionais, os artistas começaram com o que tinham — celulares, microfones simples e muita criatividade. Os bailes se espalharam pelas ruas e vielas, criando uma rede de comunicação entre os jovens e fortalecendo a cultura local.

Foi nesse cenário que surgiram nomes como MC Davi, MC Hariel, MC Pedrinho e MC Don Juan. Todos começaram em Santos, participando de batalhas de rima, bailes e gravações caseiras.

A ascensão do funk santista foi impulsionada pela internet. Plataformas como YouTube e Spotify permitiram que os artistas locais alcançassem públicos em todo o Brasil e até fora dele.

Os clipes gravados nas comunidades, com linguagem direta e estética própria, passaram a ser consumidos por jovens de diferentes realidades. O funk deixou de ser marginalizado e passou a ocupar espaços antes inimagináveis — como festivais, programas de televisão e campanhas publicitárias.

Apesar do sucesso, o funk santista ainda enfrenta desafios. Muitos bailes são interrompidos por ações policiais, e o gênero continua sendo alvo de preconceito e criminalização. Ainda há quem associe o funk à violência, ignorando seu papel como ferramenta de expressão, inclusão e transformação social.

O livro de Diego Turato, mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP, é fruto de anos de pesquisa e mergulho profundo na trajetória do funk produzido em Santos. A obra busca documentar e valorizar essa história, mostrando como o ritmo local ganhou protagonismo no Estado de São Paulo e no Brasil. O lançamento será uma oportunidade para conhecer o autor, trocar ideias e celebrar uma cultura que pulsa forte na Baixada Santista.

Hoje, o funk santista é símbolo de identidade e potência criativa. Ele dá voz a quem muitas vezes é silenciado e mostra que, mesmo diante das dificuldades, é possível sonhar alto. Dos morros de Santos para o mundo, o funk segue pulsando — acelerado, vibrante e cheio de histórias para contar.