Saúde

Hanseníase tem cura

13/01/2023
Hanseníase tem cura | Jornal da Orla

O estigma, causado pela desinformação, faz as pessoas com hanseníase sofrerem duplamente: os problemas inerentes à doença e, o que também provoca muito sofrimento, o preconceito de serem chamadas de “leprosas”.

A hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa e pode afetar desde a pele até o sistema nervoso. Mas, diferente do que muitos ainda pensam, tem cura — e as taxas de sucesso aumentam o quanto antes o diagnóstico for feito.

Transmissão

A transmissão da hanseníase é feita por meio de contato íntimo e prolongado com a pessoa infectada, pelas gotículas expelidas durante a fala, espirro ou tosse.

“Ou seja, o contágio ocorre por meio da convivência e, por isso, a transmissão em ônibus, por exemplo, onde o contato costuma ser curto, é praticamente descartada”, explica a dermatologista Maria Cristina Domingues Fernandes, da Coordenadoria de Controle de Doenças Infectocontagiosas da Prefeitura de Santos.

Além disso, o histórico familiar também é determinante. “Se o pai tem hanseníase, por exemplo, os filhos têm grandes chances de ter, pois são uma cópia genética de seus genitores”, afirma.

Sintomas

O sintoma mais comum é o surgimento, em qualquer parte do corpo, de uma ou mais manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, acompanhadas da perda dos pelos e da sensibilidade tátil ou térmica daquela parte da pele.

Outros sintomas são a sensação de fisgada, choque, dormência e formigamento ao longo do trajeto dos nervos dos membros; redução da transpiração nas áreas afetadas; pele e olhos ressecados; inchaço nas mãos e pés; feridas, sangramento e ressecamento no nariz; entre outros.

Os efeitos

A doença afeta o sistema nervoso periférico, provocando a falta de sensibilidade nas partes afetadas. “Como a pessoa não sente dor, ela pode se cortar, por exemplo, e não sentir o incômodo da ferida. Como ela não trata, gera uma inflamação e o quadro vai piorando até ela perceber”, alerta a enfermeira Lilia Emilia Correia, do Serviço de Hanseníase da Prefeitura de Santos.

Prevenção

Como a transmissão acontece por meio do convívio, a prevenção é feita por meio da aplicação da vacina BCG em quem teve contato com a pessoa infectada. Apesar da BCG ser ministrada contra a tuberculose, a vacina também contribui para a luta contra a hanseníase, visto que a tuberculose também é um tipo de bacilo. “Com a vacina, a pessoa tem menos chance de pegar a doença”, afirma a dermatologista. “A prevenção é justamente para interromper essa cadeia de contágio”, complementa a enfermeira.

A BCG é aplicada em bebês recém-nascidos e só pode ser reaplicada mais uma vez na vida, ou seja, se o paciente já tiver recebido a segunda dose por algum motivo, não poderá ser imunizado novamente, mesmo que tenha tido contato com um indivíduo infectado.

Tratamento

O tratamento, baseado em antibióticos, é oferecido gratuitamente pela Prefeitura. Após ser atendida em uma UPA ou policlínica (ou uma unidade de saúde particular), a pessoa é encaminhada ao serviço especializado da Secretaria de Saúde. “Na primeira dose do antibiótico, já são eliminados mais de 90% dos bacilos e o paciente já para de transmitir a doença”, explica a enfermeira Lilia Correia.

O tempo de tratamento varia de acordo com a quantidade de bacilos presentes no organismo da pessoa infectada: seis meses para paucibacilares (com poucos bacilos) e 12 para multibacilares (com muitos bacilos). “Os paucibacilares não transmitem e a doença se desenvolve mais devagar, porém, estes precisam ser igualmente tratados, senão a hanseníase também evolui para estágios mais avançados”, ressalta a dermatologista. Apesar do tempo de tratamento, o acompanhamento do paciente pode durar anos.

O atendimento na Coordenadoria de Controle de Doenças Infectocontagiosas é realizado de forma interdisciplinar, com a realização de diversos exames como biópsia, baciloscopia e eletroneuromiografia, além de passagem por fisioterapeuta, oftalmologista, neurologista e psicólogo, caso haja necessidade.

SERVIÇO

A fica na Rua da Constituição, nº 556, na Vila Mathias, e funciona de segunda a sexta, das 8h às 16h. O atendimento é exclusivo para moradores de Santos.