
A santista Tabata Cavalheiro vive há 13 anos na Argentina, onde se estabeleceu após se casar. Mas foi a fotografia que a levou ao reconhecimento internacional. Especializada em registros familiares, de recém-nascidos e partos, Tabata conquistou recentemente o 3º lugar na categoria Família do International Photography Awards (IPA), um dos mais prestigiados prêmios de fotografia do mundo.
Fotógrafa há 15 anos, Tabata descobriu sua paixão ainda na faculdade de Artes Visuais, mas a ligação com a arte vem de família. “Antes de estudar fotografia, eu fiz universidade de música e dava aula de musicalização. Depois fiz Artes Visuais, porque precisava da licenciatura para dar aula. Minha família sempre teve forte vínculo com arte: por parte de mãe, professores; por parte de pai, artistas. Meu pai é fotógrafo, meus primos são atores, cantores, pintores. Sempre houve essa influência familiar”, contou.
Uma experiência marcante em sua trajetória foi o trabalho a bordo de um navio, durante oito meses, viajando por mais de doze países. “Montávamos um estúdio improvisado todos os dias, fotografando centenas de passageiros com diferentes esquemas de luz. Foi um exercício intensivo, quase selvagem, mas que me ensinou a ver. Acho que foi nessa prática diária que realmente aprendi a ler a luz”.
Ao se mudar para Rafaela, uma cidade no interior da Argentina, Tabata encontrou novos desafios e oportunidades. “Não tem nada a ver com Buenos Aires. Aqui não há muitas distrações, então meu foco foi profissional. Construí uma carreira sólida em fotografia de recém-nascido, grávidas e parto, e meu trabalho ganhou projeção internacional”.
Além de fotógrafa, Tabata atua como professora e palestrante em congressos internacionais, capacitando outros fotógrafos e compartilhando seu processo criativo. Entre seus prêmios, destacam-se conquistas como o Concurso Fotográfico Internacional 35awards, onde foi eleita melhor fotógrafa na categoria newborn em 2020 e 2022, e, em 2023, recebeu o prêmio anual com uma fotografia de parto entre mais de 445 mil participantes.

O sentimento que predomina após cada reconhecimento é a gratidão. “À vida, pela sua maneira de fluir e abrir caminhos quando se ama o que faz. Às famílias que me confiam suas histórias e à minha família que sempre me apoia”, celebra. Sobre o IPA, afirma. “Só ser selecionada já foi um presente. Foi uma alegria imensa quando descobri que fiquei em terceiro lugar na categoria Família/Profissional. Farei parte da seleção oficial, do livro anual e da exposição que viajará pelo mundo”.
Sua escolha pela fotografia familiar tem um motivo profundo. “Amo acompanhar as famílias nessa etapa de vida, especialmente para a mulher. Registro desde a gravidez até o parto e o recém-nascido. É um trabalho documental, mas sem perder o lado artístico. Gosto de capturar a emoção real, não posar”.
O vínculo com as famílias vai além das imagens. “Durante o parto, muitas vezes me pedem a mão. Criamos uma amizade e um acompanhamento emocional que perdura. Depois, eles voltam para a sessão de recém-nascido, mantendo essa conexão”. Tabata também destaca o papel da fotografia na elaboração do luto: “Já fotografei nascimentos tristes, de bebês que não sobreviveram. No começo, não queria entregar essas fotos, mas as mães me diziam: ‘essa é a única imagem que tenho do meu filho’. A fotografia é uma forma de conexão com a própria história e de cura”.
Para ela, a técnica adquirida nos primeiros anos de carreira foi essencial. “O navio me deu a base fotográfica. Para criar arte, primeiro você precisa automatizar a técnica. O trabalho exaustivo de fotografar todos os dias me deu segurança para explorar a expressão artística”.
A fotógrafa enfatiza que paixão e persistência são fundamentais para quem deseja seguir a carreira. “É impossível criar um caminho sem amor pelo que faz. Fotografia é sobre conexão emocional, persistência e paixão. Passei seis anos recebendo ‘não’ dos hospitais aqui na Argentina até que finalmente disseram ‘vai’. Se você não ama, a rotina e os nãos te derrubam. O morno não sustenta ninguém”.
Sobre a foto vencedora do IPA, Tabata explica: “Escolhi uma galeria de cinco fotos, mas sabia que essa, das mãos dos médicos levando o bebê e a mãe sorrindo, comunicava tudo. É a emoção que atrai numa fotografia”.
Mesmo com tantos reconhecimentos, ela mantém a inquietude criativa. “Tenho vontade de fotografar partos em comunidades indígenas e mais pobres, mostrando como cada cultura vive o nascimento”. Paralelamente, Tabata estuda psicanálise, sonhando em unir a prática clínica ao olhar fotográfico.
Para Tabata Cavalheiro, cada clique é mais que imagem: é história, memória e emoção transformadas em arte. Suas fotografias e conquistas podem ser acompanhadas no Instagram @tabata.cavalheiro.


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