Cena

Festa Italiana de Santos celebra cultura e sabores da imigração

18/08/2025 Isabela Marangoni
Fernando Yokota/Jornal da Orla

O Parque Valongo, no Centro Histórico de Santos, se transformou em um pedacinho da Itália no último fim de semana, 16 e 17 de agosto, com a realização da 2ª edição da Festa Italiana. O evento, promovido pela Prefeitura de Santos em parceria com a Società Italiana di Santos, celebrou a cultura dos imigrantes que ajudaram a construir a cidade e o Brasil, reunindo música, gastronomia, artesanato e fé.

Tradição e abertura

A festa foi aberta pelo padre Paolo Parise, da Paróquia Italiana de São Paulo, que conduziu uma bênção especial. Usando estola com a imagem de Scalabrini, fundador da congregação que acompanha os migrantes desde o século XIX, ele lembrou a ligação histórica entre a Igreja e a imigração italiana.

Em sua fala, destacou a importância da espiritualidade ligada à alegria. “Muitas vezes pensamos que Deus gosta apenas da seriedade e do sofrimento. Mas não é assim: Ele gosta de festa também. No Evangelho, Jesus participa de casamentos e celebrações. A alegria também é sagrada”. Após a prece em italiano e português, o padre desejou dois dias de fraternidade e diversão ao público.

Memória da imigração

O palco recebeu autoridades e representantes da comunidade ítalo-brasileira. O secretário municipal de Turismo, Comércio e Empreendedorismo, Thiago Papa, celebrou o sucesso do evento. “Ano passado tivemos a primeira edição e já foi um sucesso. Agora, a Festa Italiana entrou no calendário oficial da cidade. É um orgulho ver a cultura e a gastronomia italiana preservadas em Santos.”

A presidente da Società Italiana di Santos, Marcia Frezza, lembrou os 128 anos da entidade e a memória dos imigrantes que chegaram à cidade. “Honramos, a cada dia, aqueles que vieram cheios de esperança em busca de uma nova vida e ajudaram a formar o Brasil.”

Já José de Lorenzo Messina, do Circolo Italiano de São Paulo, relembrou episódios de perseguição durante a Segunda Guerra, quando descendentes foram proibidos de falar italiano. “O Palestra Itália virou Palmeiras. Foi um golpe duro, mas a italianidade resistiu. Essa festa é prova dessa força.”

O presidente do Comitê dos Italianos no Exterior, Alberto Mayer, resumiu o espírito da celebração. “Hoje, o cheiro do mar se mistura ao do molho de tomate e do orégano. É a cultura que passa de geração em geração.”

Sabores, música e tradições

A festa reuniu 12 estandes gastronômicos, com pratos típicos de regiões como Sicília, Toscana, Vêneto, Lácio e Calábria. Também houve gelatos, vinhos, feira literária, área kids e expositores do programa Feito em Santos.

O comerciante Fernando Fernandes, da Vinhos e Tais, participou pela segunda vez e destacou a estrutura. “Este ano está ainda mais organizado e divulgado. O público tem conforto para circular, sentar e aproveitar a boa massa acompanhada, claro, de vinho italiano.”

A programação musical contou com nomes como Sergio de Rosa e Banda, Ricardo Bombarda, o grupo Harmomusical e um Tributo a Eros Ramazzotti com Enzo Schiani. A banda itinerante Guzella levou animação aos bulevares do Valongo.

Novidades e artesanato

Entre os destaques da feira criativa, a artista Rosangela Abadia, da marca Zaya Mor, apresentou bonecas de época feitas à mão, incluindo uma edição especial com trajes típicos italianos. “Comecei criando peças ligadas à memória e ao afeto, voltadas a senhoras que buscavam lembranças da infância. Hoje, faço desde naninhas para bebês até bonecas temáticas. Para a Festa Italiana, preparei modelos exclusivos vestidos como italianas”, contou.

Público e encantamento

A advogada Letícia Mota Ramos Lara participou pela primeira vez ao lado da família e aprovou a experiência. “Estou animada para próxima edição ano que vem. O clima é acolhedor e a festa é linda”.

Com música, cores e aromas típicos, a Festa Italiana de Santos mostrou que a italianidade segue viva no coração da cidade, unindo gerações em torno da gastronomia, da memória e da alegria de celebrar.