
Prestes a alcançar uma marca histórica, o Fescete – Festival de Cenas Teatrais completa 30 anos reafirmando seu papel na formação de público e no fortalecimento das artes cênicas. Com inscrições já abertas, o festival inicia o processo de adesão em duas etapas: a primeira, totalmente online, segue até o dia 13 de abril, pelo site oficial; a segunda ocorre entre 1º e 18 de maio, destinada à consolidação documental dos grupos selecionados.
Idealizado pela Tescom, o evento promete uma edição comemorativa robusta, tanto em duração quanto em diversidade. Segundo o diretor de produção, Marco França, serão 18 dias de programação intensa. “Essa edição é mais do que especial. São 30 anos cumprindo a missão de levar arte e cultura para a população”, afirma. A agenda inclui mostras de cenas nas categorias adulto, mirim e estudantil, além de teatro lambi-lambi, apresentações de espetáculos e o já tradicional concurso de poesia.
Mais do que um festival, o Fescete se consolidou como um espaço de transformação social. “O teatro é uma válvula de libertação da sociedade. Pela arte, é possível compreender os movimentos sociais”, destaca França. Esse impacto se reflete especialmente nas ações voltadas ao público jovem. “Quando promovemos categorias mirins e concursos estudantis, aproximamos crianças e adolescentes da arte e do seu poder transformador”.
Ao longo de três décadas, o festival também se firmou como porta de entrada para novos artistas. Muitos grupos sobem ao palco pela primeira vez durante o evento, ocupando espaços como o Teatro Municipal e unidades do Sesc. “Sabemos como é difícil conseguir espaço, mesmo em teatros públicos. O Fescete abre esse caminho”, pontua. O encontro entre gerações também é um dos pilares do festival. “Jovens artistas convivem com pessoas que fazem teatro há 30, 40, 50 anos. É uma troca cultural muito rica”.
Manter o projeto ativo por tanto tempo, no entanto, não é tarefa simples. A captação de recursos segue como o principal desafio. “Ainda existe a visão de que cultura é algo secundário, mas não é. Cultura é uma necessidade básica, assim como saúde e educação”, defende o diretor. Apesar disso, o evento segue firme. “Continuamos resistindo e existindo para levar arte a todas as pessoas”.
Para esta edição, a expectativa é de grande procura. Em anos anteriores, o festival já ultrapassou a marca de 100 cenas inscritas. Em 2026, a meta é selecionar ao menos 66 trabalhos, distribuídos entre as mostras competitivas mirim, estudantil A (1º ao 7º ano), estudantil B (8º ano ao ensino médio), adulto e monólogo — todas com premiação em dinheiro para os destaques escolhidos pelo júri técnico.
Homenagem
Com o tema “Uma Flor Nasceu no Palco: Cartografias do Afeto no Território Teatral”, o festival presta homenagem à Companhia Mungunzá de Teatro, de São Paulo, reconhecida por sua atuação artística e social ao longo de 18 anos. A escolha dialoga diretamente com a proposta desta edição. “Queremos mostrar como os grupos transformam seus territórios. A arte nasce no palco, mas reverbera na cidade”, explica França.
Outro destaque é o 23º Concurso Estudantil de Poesias, com inscrições abertas até 18 de maio. Voltado a estudantes do ensino fundamental ao universitário, o concurso é gratuito e online, oferecendo aos vencedores certificados, troféus e bolsas para cursos livres em artes cênicas. “Mesmo sendo um festival de teatro, nunca deixamos de valorizar outras linguagens. A poesia incentiva a leitura, a escrita e a criação”, ressalta.
Espaços culturais
Durante o festival, diversos espaços da cidade são ocupados simultaneamente, ampliando o alcance das atividades. “A gente movimenta a cidade inteira: tem espetáculo em praça, teatro, escola, na Zona Noroeste, nos morros. É um verdadeiro frenesi cultural”, descreve.
Para o público, a promessa é de uma edição potente e mobilizadora. “Podem esperar muita arte, muito teatro e muita vontade de transformar a sociedade”, conclui França.


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