
A história do vôlei brasileiro e do esporte santista ganhou um novo capítulo de preservação e memória com a abertura da Expo Negrelli, Muito além do jogo, realizada na noite de quinta-feira (9), no Teatro Guarany. A mostra mergulha na trajetória de José Oswaldo da Fonseca Marcelino, o Negrelli, um dos grandes nomes das quadras, com passagens marcantes pelo Santos FC e pela seleção brasileira, incluindo a participação nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972.
A cerimônia reuniu atletas, amigos, familiares e autoridades em uma noite marcada por emoção e reconhecimento. O público presente teve acesso a um acervo inédito, com fotos, medalhas, uniformes e objetos históricos que ajudam a contar a história de um atleta que ultrapassou o esporte. Um dos momentos mais impactantes da abertura foi o uso de inteligência artificial para recriar a voz de Negrelli, que “recebe” os visitantes em vídeo e narra sua própria trajetória.
O técnico José Roberto Guimarães participou da abertura e destacou a importância de Negrelli em sua formação. Ele relembrou o convívio com o ex-jogador e ressaltou o legado deixado dentro e fora das quadras, especialmente pela postura humana e pelo incentivo aos mais jovens.
A exposição é uma iniciativa que reúne diferentes setores da administração municipal, com apoio de parceiros e colaboração de profissionais de diversas áreas. A proposta partiu do prefeito Rogério Santos, com o objetivo de valorizar a memória esportiva da cidade e apresentar às novas gerações a história de um dos seus maiores ídolos.
Um dos organizadores da mostra, o jornalista Eduardo Silva – diretor geral do Jornal da Orla –, destacou o trabalho coletivo envolvido na construção da exposição e a importância de tornar esse legado acessível ao público. “A gente quis mostrar o Negrelli por inteiro, não só o atleta, mas o ser humano, o amigo, o formador. Foi um trabalho feito com muito cuidado, pesquisa e colaboração de muita gente”, afirmou. Ele também ressaltou a emoção de reunir o material e ver a resposta do público na abertura. “É uma história muito rica, que merece ser conhecida e compartilhada. Ver as pessoas se emocionando mostra que valeu a pena todo o esforço”, completou.
A mostra também evidencia a relação de Negrelli com Santos, cidade onde construiu sua carreira esportiva e acadêmica. Além de atleta, ele atuou como técnico, dirigente e professor universitário, sempre ligado à formação e ao desenvolvimento do esporte. Amigos de longa data, como Antonio Carlos Moreno, relembraram histórias e reforçaram características marcantes, como a dedicação, a disciplina e o espírito de equipe.
A presença da família foi outro ponto de destaque na abertura. A filha Fernanda Navarro de Andrade Nogueira falou sobre o lado pessoal do pai e a emoção de ver sua história sendo contada de forma tão completa. O sentimento compartilhado entre os presentes foi de orgulho e gratidão.
Após a abertura no Teatro Guarany, a Expo Negrelli entra em cartaz a partir desta segunda-feira (13), no saguão do Paço Municipal, no Centro, onde permanece até o dia 22. A visitação é gratuita. Na sequência, a exposição será montada no Praiamar Shopping, entre os dias 23 e 5 de maio.
TRAJETÓRIA VENCEDORA
Da quadra ao legado, a trajetória de Negrelli é marcada por talento, versatilidade e liderança desde os primeiros passos no esporte em Santos.
Ainda jovem, começou no basquete ao lado dos amigos Arlindo Pedro Junior e Geraldinho Nakasato, mas encontrou no vôlei o caminho que o levaria à elite nacional e internacional, mesmo após relutar na mudança de modalidade. Com o incentivo dos amigos, retornou às quadras e rapidamente se destacou entre os melhores, chamando atenção pela impulsão, posicionamento e leitura de jogo.
No Santos FC, integrou uma geração histórica do clube, acumulando títulos paulistas, brasileiros e sul-americanos, em um período em que a equipe era referência no país. Pela Seleção Brasileira, onde atuou a partir de 1971, construiu uma carreira sólida, com conquistas expressivas, como o tricampeonato sul-americano e o vice no Pan-Americano de 1975, além da participação nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972.
Fora das quadras, ampliou sua atuação como professor universitário, gestor público e incentivador do esporte, mantendo sempre o respeito dos colegas, o carinho dos alunos e a admiração de diferentes gerações.



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