Cena

Exposição na ACS celebra vida e obra de Benedicto Calixto

25/11/2025 Isabela Marangoni
Divulgação/ACS

A Associação Comercial de Santos (ACS) encerra o ano com uma homenagem de peso à arte e à memória regional: a exposição “Vida e Obra de Benedicto Calixto”, instalada no Salão de Mármore. A mostra revisita a trajetória de um dos maiores artistas brasileiros e o principal cronista visual da Baixada Santista, reunindo 16 painéis temáticos que percorrem sua formação, sua produção e sua relação com a cidade.

Os painéis apresentam desde a infância do artista em Itanhaém até sua temporada de estudos em Paris, financiada por um grupo de beneméritos ligados à própria ACS — entre eles o Barão do Ibaré, primeiro presidente da entidade. Foi esse apoio, lembra o curador Sérgio Willians, que marcou para sempre a história do artista. “Os homens da Associação Comercial ajudaram diretamente a lapidar o artista que Calixto se tornaria”, afirma.

Autodidata de origem humilde, Calixto se consolidou como referência ao unir rigor documental, sensibilidade poética e profundo compromisso com a memória. Na Académie Julian, aperfeiçoou a técnica que traria de volta ao Brasil, aplicando-a à observação da natureza, da arquitetura e da vida cotidiana do litoral paulista.

Litoral paulista

A exposição reúne marinhas, paisagens, retratos, arte sacra e cenas históricas que registram a transformação urbana e social de Santos e da Baixada Santista entre o final do século XIX e o início do XX. Navios no estuário, igrejas coloniais, paisagens litorâneas e momentos decisivos da história paulista são alguns dos temas imortalizados em seus pincéis.

De volta ao Brasil, Calixto retribuiu o apoio da ACS doando duas de suas obras mais emblemáticas: “Santos em 1888” e “Panorama do Porto de Santos em 1895”, preservadas até hoje na Sala da Presidência da instituição. Esse vínculo histórico guiou o conceito da mostra. “A ideia era apresentar quem foi Calixto e a amplitude do que ele produziu”, explica Willians.

Curiosidades

A mostra também destaca aspectos pouco conhecidos do pintor. Entre eles, o fato de Calixto ter desenhado o brasão oficial de Santos, em 1920 — peça que, apesar de usada até hoje, apresenta erros de heráldica. “Ele criou algo esteticamente bonito, embora tecnicamente impreciso”, comenta o curador.

Outro ponto revelado é o pioneirismo técnico do artista. Calixto foi um dos primeiros pintores do mundo a utilizar a fotografia como apoio, registrando paisagens, prédios e modelos vivos para depois transpor as imagens para a tela. “Isso trazia agilidade e uma fidelidade visual impressionante”, ressalta Willians. O artista também contratava modelos para encenar figuras históricas e recriar cenas com precisão narrativa.

Memória, cidade e legado

Para o curador, revisitar Calixto é essencial para entender a evolução urbana e cultural da Baixada Santista. “Ele deixou um repositório visual monumental. Grandes fatos históricos da região têm como referência as telas dele. É difícil pensar em alguém que tenha contribuído tanto para a memória iconográfica do litoral”, afirma.

Willians cita, por exemplo, o caso do Kestrel — veleiro inglês que encalhou no Canal 5 durante uma tempestade em 1895 — cuja localização exata só pôde ser confirmada graças a uma pintura de Calixto.

A exposição também aborda o diálogo de Calixto com o Museu Paulista — instituição para a qual produziu obras históricas fundamentais — e a criação da Pinacoteca Benedicto Calixto, que preserva parte de sua memória e legado em Santos.

Além de educativa, a mostra aposta na experiência estética. “É a exposição mais bonita que já montei. Está colorida, diversificada, linda”, brinca o curador. O objetivo, segundo ele, é transformar o Salão de Mármore em um ambiente de imersão cultural, capaz de despertar curiosidade e estimular a valorização do patrimônio histórico da cidade.

A exposição “Vida e Obra de Benedicto Calixto” fica em cartaz até o fim do ano, no Salão de Mármore da Associação Comercial de Santos, na Rua XV de Novembro. A visitação é de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas, com entrada gratuita.