
Para celebrar e exaltar a cena musical feminina na Baixada Santista, o “Esquenta Chiquinha Gonzaga Fest” acontece nesta sexta-feira, 11 de julho, Herval 33, a partir das 20 horas, reunindo artistas e bandas formadas por mulheres em uma noite de celebração e potência musical. Com entrada gratuita, o evento antecipa o festival oficial e marca o lançamento da programação da 3ª edição, prevista para os dias 16 e 17 de agosto.
Com três pocket shows e uma apresentação principal da cantora Rafa Laranja, o esquenta é uma forma de engajar o público e dar visibilidade ao festival. “Começamos no ano passado e foi tão legal que resolvemos repetir, agora com o lançamento oficial da programação”, explica Carla Mariani, uma das idealizadoras do evento. “Dessa vez, conseguimos viabilizar o projeto com apoio do edital da Lei Paulo Gustavo e de patrocinadores locais”.
A proposta é valorizar a produção autoral e o protagonismo feminino em todas as suas expressões. Além da Rafa Laranja, sobem ao palco as artistas Allany+Bela, Lelê Lotus e Turmalina, que participaram da edição anterior do festival. “A ideia é sempre homenagear quem passou pelo festival anterior, como uma curadoria viva da história do evento”, conta Carla.
DE “ELAS” À CHIQUINHA GONZAGA
A história do festival nasceu de uma inquietação. Em 2022, durante a organização de outro evento musical, Carla percebeu que o line-up não incluía nenhuma mulher. “Eu me recusei a continuar. Falei: ‘Se não tiver mulher no palco, a gente não vai’. E aí a gente resolveu criar um festival só com mulheres”, relembra.
O nome original do projeto era “Elas”, mas foi considerado genérico demais. Foi então que a equipe decidiu homenagear Chiquinha Gonzaga, figura pioneira da música brasileira. “Ela foi a primeira maestrina do Brasil, criou uma entidade que hoje seria o equivalente ao ECAD – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais de execução pública musical –, colocou letra em marcha de carnaval, lutou contra o patriarcado no século XIX… E ainda era uma mulher negra. Não podia ter nome melhor”.
A curadoria é feita majoritariamente a partir de inscrições abertas. “A gente vive da música, então já conhece muitas artistas, mas poesia, mágica, dança… tudo veio das inscrições. Foi incrível descobrir esses talentos”, destaca Carla.

MUITO MAIS QUE MÚSICA
Além de shows, o Festival Chiquinha Gonzaga — que acontecerá nos dias 16 e 17 de agosto, no Arcos do Valongo, também gratuito — inclui poesia, dança, artes visuais, mágica e feira gastronômica. “O festival não é só de música. Nos intervalos dos shows, temos um palco ao lado com apresentações diversas. Vai ter mágica, quadros, dança, poesia… Tudo protagonizado por mulheres”, explica. “Fazemos questão de incluir instrumentistas, não só cantoras. Queremos quebrar esse padrão em que a mulher aparece só como vocal ou backing vocal”.
Uma das novidades deste ano é a parceria com a feira Afrotu, formada por mulheres pretas. “Conhecemos a curadora num curso e achamos que fazia todo sentido trazer essa feira para dentro do festival”, afirma Carla.
CRIANÇAS E REPRESENTATIVIDADE
O cuidado com a representatividade feminina começa na infância. Por isso, o festival também inclui atrações infantis. “A gente quer que as crianças cresçam vendo mulheres no palco como algo natural. Ainda causa estranheza, e esse olhar precisa mudar desde cedo”, defende. “E como o evento atrai muitas mães, também pensamos em opções para entreter os pequenos”.
A produção, intensa e desafiadora, é feita com rigor. “É uma loucura! Mas a gente não atrasa nada. A logística é difícil, mas o resultado compensa demais”, resume Carla. “O convite é para que as pessoas conheçam o trabalho das artistas da região, valorizem a música autoral e celebrem essa potência feminina. Venha prestigiar a Rafa Laranja e todas as mulheres incríveis que vão passar pelo palco”, convida Carla.


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