Inclusão

Espetáculo ‘O Mundo de Gael’ tem mensagem de inclusão e empatia

19/07/2025 Isabela Marangoni
Divulgação

Com uma narrativa sensível e potente, o espetáculo ‘O Mundo de Gael’ desembarca em Santos para uma apresentação única no dia 2 de agosto, às 15 horas, no Teatro Guarany. Criada pela Cia. Alvo, a peça tem texto e direção de Fabiano Moreira e convida o público a mergulhar no universo de uma criança autista, propondo uma reflexão profunda sobre empatia, diversidade e escuta.

Construída a partir de uma dramaturgia coletiva — marca registrada da companhia — a obra surgiu do desejo de abordar um tema urgente e pouco explorado com profundidade na cena teatral: o Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Queríamos falar do autismo não a partir dos clichês, mas com humanidade. Criar um personagem com camadas, com verdade em cena”, explica o diretor.

A trama acompanha Gael, um garoto de 12 anos, brilhante, curioso e cheio de imaginação, que enfrenta dificuldades nas interações sociais e vive uma jornada de autoconhecimento. Ao longo do caminho, ele encontra figuras marcantes, como o afetuoso seu Tato, que vive na praça, e o enigmático Mestre Engrenaldo — um guia simbólico que o ajuda a enfrentar desafios internos e externos.

Para interpretar Gael, o jovem ator Biel Marconato mergulhou em um processo intenso de pesquisa. “Ele visitou instituições, assistiu a atendimentos e se aproximou da realidade de pessoas com TEA. Foi um trabalho de entrega e escuta. Devemos muito à dedicação dele”, afirma Fabiano.

Um dos grandes desafios da criação foi adaptar a linguagem teatral às especificidades do espectro autista. “O autismo demanda comunicação direta, menos metáforas e subjetividades como em uma dramaturgia convencional. Criar uma peça com esse olhar trouxe um resultado artístico muito interessante”, destaca.

Pensado com cuidado para ser acessível ao público infantil com TEA, o espetáculo utiliza cores suaves, sons agradáveis e duração reduzida de 40 minutos. Um dos destaques é o personagem Mestre Engrenaldo, vivido por Percy Porchat, que funciona como um mediador da narrativa — divertido, dinâmico e presente nos momentos-chave da história. “Ele ajuda a manter a atenção dos pequenos sem sobrecarregá-los. Cada detalhe foi pensado para acolher”, explica.

A inclusão também se manifesta na presença de uma intérprete de Libras em cena — não de forma isolada, mas integrada à cena. “Ela interage com os personagens, participa ativamente da narrativa. A comunidade surda reconheceu e valorizou muito essa abordagem”, conta o diretor. “Desde 2014 temos buscado essa escuta ativa com o público surdo. Agora, com o autismo, seguimos aprofundando esse compromisso com a inclusão”.

O espetáculo tem emocionado plateias por onde passa, especialmente famílias atípicas. “Uma menina, que era autista e também intérprete de Libras, nos procurou após a peça. Disse que se sentiu representada em todas as camadas. Esses encontros nos movem”, diz Fabiano. “Recebemos muitos relatos nas redes sociais de pessoas que dizem, com carinho, que finalmente se sentem vistas”.

Para ele, o teatro é uma ferramenta poderosa de transformação. “A arte precisa ocupar esse lugar de escuta e acolhimento. Ainda há muito pouco voltado para esse público”.

A apresentação em Santos será também um convite ao diálogo. “Esperamos que as famílias atípicas venham, que conversem com a gente, tirem fotos, participem. O teatro, para nós, é o lugar do encontro”, finaliza Fabiano.

E se fosse preciso resumir a peça em uma frase? O diretor não hesita. “É um impacto positivo com amor. Uma criança, após a peça, nos perguntou como lidar com um amigo autista. E a resposta está ali: com o olhar, com amor, com compreensão”.

SERVIÇO

  • Quando: 2 de agosto, sábado
  • Horário: 15 horas
  • Onde: Teatro Guarany | Praça dos Andradas, s/nº – Centro, Santos
  • Ingressos: disponíveis pelo AppTicket