
Mudanças negativas para o país que aplica e para o país que recebe. Esta é principal avalização da coordenadora do curso de Ciências Econômicas da Universidade Católica de Santos (Unisantos), Célia Rodrigues Ribeiro, sobre os impactos da medida norte-americana ao impor tarifas de 50% aos produtos brasileiros.
A economista participou, ontem (15), do programa Orla Notícias, da rádio Santos FM (92,5) e também comentou a resposta brasileira ao “tarifaço” que deve ser aplicado a partir de 1º de agosto. Célia explica que essas tarifas funcionam como barreiras comerciais que elevam o preço dos produtos importados e exportados.
“As tarifas provocam mudanças negativas para o país que aplica e para aquele que recebe. Se o produto custa R$ 100, uma tarifa de R$ 50 faz com que ele custe R$ 150 no mercado de destino, isso limita o consumo e não é bom para o comércio local”.
A coordenadora destaca que essas medidas protecionistas impedem ajustes de mercado no curto e médio prazo, forçando empresas e países a absorverem os custos elevados. “Mas, hoje, no cenário atual, os Estados Unidos são superavitários em relação ao Brasil. Então, o discurso do protecionismo cai por água abaixo”.
As tarifas norte-americanas impactam diretamente os principais produtos de exportação brasileiros, incluindo suco de laranja, café e aço. Célia enfatiza que a Baixada Santista pode sofrer impactos significativos, especialmente nas operações portuárias e nas empresas siderúrgicas de Cubatão.
Segundo ela, aproximadamente, um terço das exportações brasileiras para os EUA passa pelo Porto de Santos, representando cerca de US$ 12 bilhões anuais. A redução do volume de produtos transportados afeta empregos diretos e indiretos, além de serviços portuários e logísticas.
“A situação impacta diretamente a região. Nossa economia é baseada no Porto, no setor público e o Polo Industrial de Cubatão. Essa é a nossa equação”, diz Célia.
CONSEQUÊNCIAS
Ela identifica três impactos importantes das tarifas: taxa de câmbio, balança comercial e inflação. O câmbio já sofre pressões, a balança comercial será afetada negativamente com a redução das exportações, e a inflação tende a subir tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
“Se o produto ficar caro lá, ele vai ficar caro para nós também, porque o mercado internacional reflete na economia nacional”, explica Célia. Ela destaca que no curto prazo, consumidores norte-americanos enfrentarão escassez e preços elevados para café e suco de laranja, dos quais o Brasil é o principal fornecedor.
A coordenadora sugere que o Brasil explore novos mercados e busque diálogo diplomático. Ela ainda menciona a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) alegando tratamento desigual, já que as tarifas norte-americanas diferem entre países.
‘ORLA NOTÍCIAS’
Hoje, o convidado do Orla Notícias, na Santos FM (92,5), será o Deputado Estadual e advogado, Caio França (PSB). O tema é a prestação de contas do mandato. O programa vai ao ar, às 7 horas, sob comando da jornalista Addriana Cutino.


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