
A escritora argentina Nora Strejilevich chega a Santos neste sábado, 18 de abril, em um momento de forte simbolismo histórico. Em meio às cinco décadas do início da ditadura militar na Argentina, a autora participa de uma série de encontros que colocam em evidência memória, testemunho e literatura como formas de resistência. A visita marca o lançamento no Brasil de Uma só morte numerosa, publicado pela Balaio Editorial.
A programação começa às 18h, na Livraria Realejo, com um bate-papo seguido de sessão de autógrafos. A presença da autora também se estende à segunda-feira, 20 de abril, quando participa de um debate no SUR Clube de Literatura Latino-americana, realizado na Associação Cultural José Martí, às 19h.
A obra que motiva os encontros se constrói como um registro fragmentado e intenso da violência de Estado. Originalmente publicada com o título Una sola muerte numerosa, a narrativa reúne entrevistas com sobreviventes, documentos e experiências pessoais da própria autora, que foi sequestrada e levada ao centro clandestino Club Atlético. Durante o período, seu irmão foi assassinado pelo regime, episódio que atravessa o livro de forma direta e dolorosa.
Longe de uma estrutura convencional, o texto mistura elementos de romance, autoficção e testemunho. A escrita aposta na fragmentação e na multiplicidade de vozes para reconstruir histórias interrompidas pela repressão. O resultado é um mosaico narrativo que busca dar forma ao trauma coletivo, sem recorrer a uma linearidade tradicional.
A trajetória de Nora Strejilevich está diretamente ligada à memória desse período. Após ser libertada em 1977, viveu no exílio por anos, experiência que também atravessa sua produção intelectual. Doutora em Literatura Hispano-americana, tornou-se professora emérita da Universidade Estatal de San Diego, nos Estados Unidos, e construiu uma carreira dedicada ao estudo do testemunho e das marcas deixadas pelas ditaduras na América Latina.
A passagem por Santos insere a cidade em um circuito de reflexão que dialoga com temas ainda urgentes no continente. Ao reunir leitores, pesquisadores e interessados em literatura latino-americana, os encontros ampliam o alcance de uma obra que insiste em confrontar o esquecimento e reafirmar a importância da memória como construção coletiva.
A Realejo fica na Avenida Marechal Deodoro, 2, no Gonzaga


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