Metrópole

Confira entrevista com Raquel Gallinati

08/03/2025 Paulo Rogerio
Arquivo Pessoal

Raquel Gallinati não nasceu em Santos, mas viveu na cidade até os 18 anos. Formada em Direito, é mestre em Filosofia, pós-graduada em Ciências Penais, Direito de Polícia Judiciária e Processo Penal. Delegada desde 2012, foi a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. Em 2021 foi eleita para compor a diretoria nacional da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) do Brasil, e para a vice-presidência da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Civil.

Em 2024 assumiu um dos cargos mais complexos da Prefeitura de Santos: a Secretaria de Segurança Pública. Tem, sob seu “guarda-chuva”, todo o efetivo da Guarda Municipal, além de promover ações integradas de Defesa Civil. É de sua competência a formulação, articulação e implementação de políticas de segurança. Raquel ainda tem mais uma atribuição e esta não está necessariamente ligada ao caro que ocupa: continuar a conquistar espaço mostrando a própria capacidade.

“Este é meu maior desafio. A mulher tem que estar sempre provando a sua capacidade no exercício da profissão. É uma rotina muitas vezes exaustiva. É uma constante tentativa de desqualificar a mulher, para classifica-la como alguém divorciada de qualidades como assertividade e firmeza.
Raquel lembra que, por mais necessário que seja, a mulher ainda ouve falas nada agradáveis quando se impõe. “Ou está exagerando, ou é inconveniente, inadequada, inoportuna. Mas, quando as mulheres têm noção dessa violência, têm a possibilidade de calar qualquer intenção de deturpá-la. A mulher é assertiva, não é inoportuna”.

A secretária reconhece que houve evolução nos últimos tempos. Classifica o acesso como “viabilizado, mas frágil”. Em outros tempos, pensou em desistir da profissão e das missões. Por curiosidade, um dos incentivos recebidos para não largar tudo por dado por um homem.

“Na presidência do Sindicato dos Delegados havia, por machismo, muitas dúvidas sobre a minha capacidade de liderar. Eu vinha acompanhando outras mulheres em posições de liderança para aprender com elas, até que um delegado, em uma reunião do sindicato, me deu o empurrão. Eu vinha sendo questionada por diretores de uma forma bem veemente, quando ele interrompeu o encontro e perguntou se tudo aquilo estava acontecendo pelo fato de eu ser mulher. Quer dizer, se fosse um homem no mesmo cargo, ninguém colocaria a competência em dúvida. Quem me questionava se calou e eu ganhei esse incentivo”.

À frente da Secretaria de Segurança Pública de Santos, Raquel espera mais do que o respeito de quem ela representa. Já não tem mais a pressão externa de colocar em dúvida a própria capacidade e espera deixar um legado na pasta que comanda.

“O prefeito (Rogério Santos – Podemos) me deu todas as possibilidades para eu realizar uma boa gestão. Eu quero deixar a Guarda Municipal ainda mais equipada e pronta para exercer suas funções e, na medida do possível, melhorar a representatividade feminina. Hoje não temos 25% de mulheres no efetivo da Guarda”.

Casada com um policial civil, Raquel Gallinati diz ser difícil separar a vida profissional da pessoal. “Eu trabalho demais e, em casa, entramos em assuntos inerentes às nossas profissões”.