
Como músico, DeLone é identificado com o universo do rock, no qual a cor predominante é o preto – principalmente na vestimenta –, mas, como artista plástico, realiza trabalhos coloridos, alegres e vibrantes. Em mais de 30 anos de produção, desenvolveu uma assinatura visual inconfundível na linha da pop art, marcada pela repetição de símbolos, linhas e cores vindas do design gráfico, como amarelo, rosa e azul.
Sua obra é bastante conhecida em Santos e vai muito além das telas. Ele assina logotipos, produtos comerciais e encomendas públicas e particulares. Um exemplo é o famoso mural do Orquidário Municipal de Santos, feito em agosto de 2023, que se tornou cenário de fotos de crianças que visitam o parque.
Fã de Elvis Presley, John Lennon, U2 e Queen – para o qual fundou, no início dos anos 1980, o primeiro fã clube santista, o White Heron Queen Fan Club – e também de bandas de heavy metal como Iron Maiden, Manowar e Black Sabbath, Renato de Lima Maransaldi foi um dos pioneiros da cena roqueira de Santos. Esteve à frente de bandas como Angel e Promise entre os anos 1980 e 1990.
Filho mais velho de Gilberto, gerente comercial e empresário, e de Maria Marlene, cresceu ao lado dos irmãos Alessandro e Rodrigo. Antes de se tornar DeLone, enfrentou dúvidas e desafios profissionais, enquanto desenhava, pintava e cantava para se expressar e afastar inquietações.
Sua vocação surgiu cedo. Aos 6 anos, na década de 1970, respondeu a uma entrevista feita pelo pai dizendo que queria ser desenhista. Durante o Ensino Médio, nos anos 1980, o desenho roubava a cena: embora tivesse escolhido medicina como especialidade escolar apenas para acompanhar colegas, passava as aulas criando capas de caderno para as amigas.
No cursinho, ao lado da loja de discos Tremendão, passava horas observando capas de vinil e oferecendo desenhos. Inspirava-se na criatividade das artes gráficas dos álbuns, citando como exemplo A night at the opera, do Queen, criada por Freddie Mercury.
Aos 18 anos, fez aulas de Perspectiva e Cálculo de Engenharia, trabalhou em um escritório de arquitetura e depois na Gráfica Apollo Santos, onde aprendeu técnicas de areografia e design gráfico. Em 1987, já era arte finalista e diretor de arte na Apollo e, em 1990, foi para a agência Publicenter.
Paralelamente, cantava na Promise e pintava telas inspiradas no surrealismo e em artistas mais soturnos, como o suíço H. R. Giger. Participou de exposições, com obras selecionadas no Salão de Belas Artes do Rio de Janeiro (1993) e no 21º Salão de Arte do CCBEU (Centro Cultural Brasil-Estados Unidos).
Em 1990, vivendo uma fase depressiva e cantando letras sociais em inglês, sentia pouca conexão com o público. Em 1994, a Promise acabou. Logo depois, incentivado pelo pai de uma ex-namorada, que trabalhava com cenografia no Teatro Municipal, inscreveu-se no salão do CCBEU e conquistou o primeiro lugar, o que o levou a Nova Iorque.
Nos meses em que esteve nos Estados Unidos, visitou museus, viu grafites nas ruas e se encantou com a pop art de Andy Warhol, que se tornou sua maior referência. De volta ao Brasil, no início de 1995, adotou nova linguagem, criando retratos de artistas que admirava, como Elvis, mas com técnica própria – pintada à mão, diferente do silk screen de Warhol.
Desde então, consolidou sua marca nas artes gráficas e plásticas de Santos. Criou logotipos para projetos como o Santos Jazz Festival, dirigiu projetos artísticos e editoriais, cantou em bandas covers e autorais (como o Contra Bando, que chegou a gravar um CD antes da pandemia) e manteve sua gráfica Conceituall Estúdio de Criação, de 2003 a 2014, voltada para moda e design.
Também foi curador e autor da homenagem aos 80 anos de Pelé, em 2020, inserindo a obra Hey! no acervo do Museu Pelé, e produziu retratos para artistas como Ney Latorraca, Paulo Coelho, Zé Ramalho, Zeca Baleiro e Os Trapalhões.
No apartamento na Vila Mathias, onde vive com a esposa, a química Renata Araújo, e a filha Gabriela, de 13 anos, trabalha no retrato de Jack, um buldogue francês já falecido, encomendado por uma juíza de São Paulo.
A obra, em tela de 50×70 cm, integra a série Pop Love Dogs, iniciada em 2015, durante uma fase em que resgatava cães de rua e chegou a abrigar nove deles no antigo ateliê. Sua técnica, simples e precisa, segue o método aprendido na gráfica: amarelo, magenta, ciano e preto, com o contorno final fechando a obra.

Nas paredes de casa, quadros de diferentes épocas mantêm a mesma identidade visual: silhueta do passarinho, esfera e linha diagonal cortando a tela. Entre os projetos atuais, estão os murais do Põe a Mão no Coração, com crianças de escolas de ensino fundamental, e o que iniciará este mês para a escola municipal Pedro II, na Ponta da Praia, com o tema Gaiolas Abertas, Pássaros Livres.
Outro destaque é a série Sagrados, com mais de 50 retratos de santos católicos, parte das vendas revertida a entidades de apoio a pessoas em situação de rua e que terá exposição na Pinacoteca Benedicto Calixto a partir da próxima semana.
Esta reportagem, parceria do Jornal da Orla com os jornalistas Carlota Cafiero e Claudio Vitor Vaz, faz parte do projeto Por Dentro do Ateliê II, contemplado na 11ª edição do Facult.
A cada 15 dias, o Jornal da Orla vai mostrar uma dos 10 registros produzidos pela Carlota e pelo Claudio, que vão se integrar um livro e também serão tema de uma exposição no Centro de Cultura Patrícia Galvão.



Foi um prazer e uma honra enormes entrevistar o DeLone e trazê-lo para o projeto de livro e exposição “Por Dentro do Ateliê II – Artistas Visuais de Santos”, com lançamento e abertura em 7 de novembro de 2025, respectivamente, na Galeria Municipal Braz Cubas, em Santos, como resultado do 11o Facult Santos.