Cena

Entre contas e medalhas, Nicolly é uma apaixonada pelas ciências

23/05/2025 Isabela Marangoni
Fernando Yokota

Estudante do 2º ano do Ensino Médio no Colégio Objetivo da Ponta da Praia, Nicolly Ribeiro é um exemplo de talento, disciplina e amor pelo conhecimento. Fascinada por ciências exatas e motivada por desafios, ela trilha uma trajetória marcada por medalhas, superação e descobertas — dentro e fora da sala de aula.

O começo de sua jornada no universo das olimpíadas escolares começou em 2023, quando ainda cursava o 9º ano. E, ao contrário do que muitos poderiam imaginar, não foi motivada por um plano elaborado ou por um talento descoberto cedo. “Nunca achei que tinha potencial”, lembra. “Fiz a OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) em minha antiga escola, empatei com um colega, e fiquei me perguntando por que tinha me esforçado tanto”. A experiência plantou uma semente em sua cabeça e, no ano seguinte, tentou novamente — e a persistência valeu a pena: conquistou sua primeira medalha de ouro, dessa vez na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). “A partir dali me apaixonei. Nunca fiz pelas medalhas, mas para crescer como aluna, como pessoa”.

Nicolly sempre teve uma quedinha pelas ciências e matemática. “No começo, gostava muito de astronomia. Depois, descobri que minha paixão mesmo é a química”. Essa afinidade impulsionou sua participação em diversas competições, como a SASMO — Olimpíada Internacional de Matemática (Singapura/Asiática) – competindo com mais de 66 mil estudantes de 42 países. O resultado? Medalha de ouro no seu nível, o Grade 10. “Já conhecia a prova, mas nunca tive coragem de fazer. Achei que não daria conta. Um dia resolvi tentar. Quando os resultados saíram, não acreditei: meu nome estava lá, em primeiro lugar no Brasil”.

A prova foi feita em sua casa, toda em inglês, fiscalizada por câmeras — uma para ela e outra para o ambiente. Nicolly se preparou com a experiência que já tinha, confiando no próprio conhecimento.

Hoje, resolver provas se tornou parte da rotina. E a escola tem papel fundamental nesse processo. “Meus professores sempre me incentivaram muito. O de química, por exemplo, me deu livros para estudar para a final da Olimpíada de Química do Estado de São Paulo — que sempre foi um sonho. Tentei várias vezes e agora finalmente cheguei à fase final”.

Ela se destaca não só pela inteligência, mas pela constância. Participa de olimpíadas nas mais diversas áreas: matemática, ciências, astronomia, neurociência — e até de um projeto da NASA de caça a asteroides. “Recebemos imagens para analisar. Se você descobre um asteroide, pode dar nome a ele. No ano passado, dois que identifiquei entraram na fase de pré-análise”.

Cada medalha traz não apenas reconhecimento, mas afeto. “Minhas amigas me apoiam muito. Sempre inventam apelidos engraçados para comemorar. Isso me motiva. Até consegui convencer algumas a participarem também”.

Sobre o futuro, Nicolly já tem um caminho traçado: quer cursar Engenharia Química. “Já mandei meus certificados para a Unicamp e a Unesp, e fiquei na lista de espera mesmo estando só no primeiro ano. As medalhas são uma porta de entrada. Várias universidades têm vagas olímpicas, e essa sempre foi uma das minhas motivações”.

Mas não é só a recompensa que a move. “Eu brinco com a minha mãe que eu gosto do difícil. Se fosse fácil, não faria. O desafio me atrai. É isso que me impulsiona”.

O diretor, professor e coordenador de matemática do Colégio Objetivo, Lúcio Ribeiro, destaca o talento de Nicolly. “Ela é uma das grandes mentes da escola. Alguns alunos se destacam nos esportes, outros nas exatas — como ela, que encontrou nas olimpíadas sua forma de expressão”. Ele conta ainda que a escola incentiva ativamente a participação em desafios. “Vamos realizar um evento para entregar medalhas e certificados, mostrando à comunidade escolar o quanto esses alunos merecem ser celebrados”.

Além das conquistas nas provas, Nicolly também participou de outras atividades escolares, como um torneio de pintura, onde seu desenho está até hoje na parede da escola. “Mostra que ela tem várias nuances: exatas, criativa, sensível”, comenta o professor.

Mesmo com tantos títulos, Nicolly mantém os pés no chão e o foco no que realmente importa. “Mesmo quando eu não sei nada de uma prova, eu tento. Depois pesquiso, aprendo. Isso me faz crescer”. E completa com um conselho para quem quer começar. “Comece pelo que você gosta. No meu caso, foi astronomia. Não precisa saber tudo — o importante é começar e ter um objetivo”.

Hoje, no segundo ano do ensino médio, com medalhas acumuladas, orgulho da escola e da família, Nicolly é prova viva de que o talento somado à persistência e ao amor pelo conhecimento pode levar muito longe — até o topo do pódio.