
A eletrificação ganha força como alternativa para descarbonizar operações portuárias. Embora nenhum porto brasileiro ainda ofereça energia de terra para navios inteiros atracarem; a chamada Onshore Power Supply (OPS) – em português: estação de fornecimento de energia. No Porto de Santos, a energia limpa já mostra sinais práticos de adoção, uma vez que o complexo portuário abriga postos de abastecimento de eletricidade para rebocadores, que dão apoio às operações portuárias.
Especialistas apontam que a energia fornecida pela OPS permitiria que navios desligassem seus motores quando atracados, reduzindo bastante emissões de gases de efeito estufa. Porém, há desafios de infraestrutura: é preciso adaptar cais, linhas de transmissão e subestações para levar energia elétrica até onde os barcos atracam.
No Brasil, além de Santos, o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, também tem postos de eletrificação (até agora voltados a rebocadores).
Na prática, o problema está na quantidade de energia que estas estações precisam para abastecer navios de grande porte. Para se ter uma ideia, “o Porto de Valência, na Espanha, usa 16 megawatts de energia para abastecer todo o complexo portuário e, a cada OPS que instala, são mais 16 megawatts, ou seja, dobra a demanda energética do porto a cada OPS instalada”, explica Luane Lemos, gerente de Meio Ambiente do Porto do Itaqui, no Maranhão, e coordenadora da Aliança Brasileira para Descarbonização de Portos.
LINHAS DE TRANSMISSÃO
“Para abastecer um navio, ou mais, já que os portos têm capacidade para receber mais de um ao mesmo tempo, é preciso uma grande quantidade de energia – o que não é um problema para o Brasil, que tem matriz energética limpa e grande potencial de geração. A dificuldade está na transmissão: as linhas ainda precisam ser ampliadas”, cita a especialista.



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