
O Dia Mundial do Rim, celebrado nesta quinta-feira (12), reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças renais. Em 2026, quando a campanha completa 20 anos, o tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta” amplia esse debate ao destacar a conexão entre sustentabilidade ambiental e saúde renal, abordando os riscos climáticos, o alto consumo de recursos na diálise e a necessidade de reduzir desigualdades no acesso ao tratamento.
O alerta é urgente. Em apenas um ano, o número de brasileiros com doença renal crônica em tratamento por diálise cresceu 9,2%, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante (ABCDT). Em dezembro de 2025, 170.868 brasileiros realizavam diálise regularmente, contra 156.473 no ano anterior. A entidade estima ainda que cerca de 230 mil pessoas no país precisariam do tratamento, o que significa que mais de 60 mil pacientes podem estar sem acesso à terapia renal.
Dentre as causas, a diabetes aparece como a principal, com 33,8% dos casos, seguida pela hipertensão arterial, por 26,5%. Doenças primárias dos rins, como glomerulonefrites, representam 11,5%, enquanto complicações renais secundárias correspondem a 5,9%.
Para a Dra. Daphnne Camaroske, nefrologista da Fenix Nefrologia, o problema muitas vezes começa em pequenos hábitos do dia a dia. “Os rins têm grande capacidade de compensação, por isso a perda de função pode evoluir durante anos sem sintomas”.
Neste cenário, a nefrologista chama a atenção para erros cotidianos que parecem inofensivos, mas podem se transformar em verdadeiras armas contra a saúde renal.
1. Uso frequente de anti-inflamatórios e analgésicos
O hábito de recorrer a anti-inflamatórios para dores musculares, cólicas ou ressacas é muito comum e pode ser perigoso. Os anti-inflamatórios reduzem a inflamação e a dor, mas também interferem no fluxo sanguíneo renal. “O sangue chega com menos força aos filtros dos rins e a filtração pode cair”, explica a médica
2. Dietas hiperproteicas e excesso de proteína animal
Dietas ricas em proteína, especialmente de origem animal, também merecem atenção. O consumo exagerado aumenta a filtração glomerular e pode gerar um estado de hiperfiltração, que sobrecarrega os rins ao longo do tempo. Além disso, carnes processadas e alimentos ultraprocessados, ricos em sódio, gorduras e aditivos, estão associados à inflamação e a alterações metabólicas.
3. Desidratação leve, mas constante
Beber pouca água diariamente mantém os rins sob estresse contínuo. A desidratação reduz o fluxo sanguíneo renal e favorece cálculos, infecções urinárias e até lesão renal aguda em situações mais graves. “O primeiro sinal é a sede, que representa o alerta imediato. Outros sintomas incluem boca seca, pele ressecada, dor de cabeça, fadiga e até prisão de ventre”.
4. Excesso de sal e alimentos ultraprocessados
O consumo elevado de sal está diretamente associado ao aumento da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e a progressão da doença renal crônica. O excesso de sódio favorece a retenção de líquidos.
5. Consumo excessivo de álcool
“O álcool interfere diretamente no equilíbrio hídrico e na regulação da pressão arterial, duas funções essenciais para os rins”, explica a Dra. Daphnne. “Ele inibe a ação do hormônio antidiurético, fazendo a pessoa urinar mais e perder líquidos e eletrólitos. Com isso, o fluxo sanguíneo renal diminui, sobrecarregando os néfrons. Em casos de excesso, pode ocorrer lesão renal aguda, especialmente quando associado a calor, desidratação ou uso de anti-inflamatórios.



Deixe um comentário