
Criada para conscientizar a população sobre as hepatites virais, a campanha Julho Amarelo busca ampliar o conhecimento sobre doenças que, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa e só são descobertas quando já provocaram danos graves ao fígado. Segundo o infectologista Marcelo Neubauer, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e garantir o tratamento adequado.
As hepatites virais são classificadas em cinco tipos: A, B, C, D e E. No Brasil, a hepatite E é considerada rara, enquanto a hepatite D, também conhecida como delta, tem maior incidência na região Amazônica e no sudoeste asiático. Já as hepatites A, B e C estão presentes em todo o mundo.
De acordo com o especialista, as hepatites A e E costumam se manifestar de forma aguda, com sintomas bem conhecidos pela população. “A pessoa fica amarela, a urina cor de Coca-Cola, as fezes esbranquiçadas, com cor de massa de vidraceiro, além de apresentar muito mal-estar, náusea, vômito e diarreia”, explica. Apesar do quadro clínico intenso, ele ressalta que essas infecções geralmente são autolimitadas, embora a gravidade possa variar conforme as condições de saúde de cada paciente.
Já as hepatites B, C e D representam um desafio ainda maior por evoluírem de forma silenciosa. “Elas são inimigos silenciosos do nosso fígado. O fígado sofre por décadas sendo atacado por esses vírus sem dar nenhuma manifestação”, afirma Neubauer.
Diagnóstico
Segundo ele, quando não há diagnóstico e tratamento, os primeiros sinais costumam surgir apenas em fases avançadas da doença. “Se não é feito o diagnóstico e tratado adequadamente, os primeiros sintomas que o paciente vai ter são sintomas de cirrose”.
Na prática, muitos casos acabam sendo identificados durante exames de rotina ou em doações de sangue. “A maioria dos casos, principalmente de hepatite B e hepatite C, acaba sendo diagnosticada em um check-up geral ou em bancos de sangue, porque todo sangue doado é testado para essas doenças”, destaca.
Para o infectologista, o ideal seria que a testagem fosse ampliada para toda a população. “Os testes deveriam ser universais, porque tem muito caso, principalmente de hepatite C, circulando por aí sem diagnóstico”, afirma. Ele lembra que os exames são realizados por meio de análise de sangue e estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Prevenção
A prevenção varia conforme o tipo de hepatite. Nas hepatites A e E, transmitidas por alimentos e água contaminados, os principais cuidados envolvem higiene das mãos, consumo de água tratada e atenção à manipulação dos alimentos.
Já as hepatites B, C e D podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado e, no caso das hepatites B e D, também por via sexual. Por isso, o uso de preservativo em relações sexuais com parceiros desconhecidos é uma das principais formas de prevenção.
Neubauer destaca ainda a importância da vacinação. “Existe vacina contra a hepatite B, e ela também protege contra a hepatite D”, explica. Para a hepatite C, porém, ainda não há vacina, tornando essencial evitar o contato com sangue contaminado e manter os cuidados em procedimentos que envolvam materiais biológicos.
Apesar dos riscos, o infectologista reforça que todas as formas de hepatite crônica possuem tratamento. “São oferecidos exclusivamente pelo SUS, inclusive para pacientes acompanhados em clínicas particulares”, afirma.
Segundo ele, o tempo de tratamento varia conforme o tipo de hepatite e o medicamento utilizado, seguindo protocolos definidos pelo Ministério da Saúde. Em muitos casos, a duração fica entre quatro e seis meses, com medicamentos específicos para cada vírus.


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