
Apoiar empreendedores, desenvolver territórios e conectar negócios ao mercado global. Essas três frentes resumem a atuação do Sebrae no fomento à inovação brasileira. O resultado prático dessa estratégia aparece em casos como o da TidalWatt, startup de Praia Grande que saiu de um programa de aceleração na Baixada Santista, que ganhou projeção internacional e agora leva tecnologia de energia renovável para uma aldeia indígena no Acre.
O CEO da empresa, Maurício Otaviano de Queiroz, embarcou no último dia 3 de dezembro para a aldeia Nomanawa, em Cruzeiro do Sul. A viagem faz parte de um estudo de viabilidade técnica para avaliar as condições hidrográficas do rio local. Os resultados determinam a possibilidade de instalação das turbinas subaquáticas desenvolvidas pela empresa.
A TidalWatt integra o plano de empresas aceleradas pelo programa ‘Speed Marine’, iniciativa do Sebrae dedicada à Economia Azul. O conceito abrange atividades econômicas relacionadas a oceanos, mares e zonas costeiras, setor que movimenta a região.
O consultor de Inovação do Sebrae-SP, Márcio Cruz, explica a lógica por trás do programa: “O Sebrae é um grande agente transformador do território. Ele, com base nas suas vocações, entende aquilo que o território precisa para se desenvolver e, por meio da conexão de atores e ações conjuntas, de forma colaborativa, cocria o território para gerar desenvolvimento econômico com desenvolvimento social e ambiental”, afirma.
A instituição atua em três frentes: empreendedor, empresa e ambiente de negócios. “Então, no ambiente de negócios, a gente faz essa ação do território. E aí, a gente faz essas conexões para gerar desenvolvimento econômico. Então, nós somos os executores aqui da política pública na ponta”, detalha o consultor.
MISSÃO INTERNACIONAL
A escolha da TidalWatt para representar o Brasil em Londres seguiu critérios específicos de potencial de mercado. “O projeto de Maurício já se mostrava promissor, oferecendo grandes oportunidades de contato com um ecossistema que demanda alta carga energética. Como a Europa possui uma forte dependência nesse setor, o Maurício conseguiu estabelecer conexões estratégicas para o desenvolvimento de seu negócio”, afirma Cruz.
A Missão Internacional em Londres, realizada em junho de 2022, representou um divisor de águas econômico. A London Tech Week reúne especialistas, investidores e líderes empresariais. O evento abriu portas para participações na COP28 em Dubai e em fóruns de inovação em Osaka.
“Foi a primeira vez que pude apresentar a tecnologia à comunidade internacional, inserindo-a em um ambiente verdadeiramente global”, relata Maurício Queiroz sobre a experiência londrina.
PROJETO
A tecnologia central da TidalWatt consiste em turbina subaquática compacta. Uma unidade de três metros de diâmetro gera cinco megawatts de potência, equivalente a turbinas eólicas de 180 metros. A redução de 60 vezes no tamanho representa vantagem competitiva em custos de instalação e manutenção.
O equipamento opera com fator de capacidade entre 70% e 95%, taxa superior às fontes solar e eólica. A constância na geração aumenta a previsibilidade de receitas e reduz necessidade de sistemas de armazenamento complementares.
O CEO ainda explica que desenvolveu o conceito após um incidente em mergulho. “Fomos levados por uma corrente forte. Tive uma percepção muito clara do enorme potencial energético que existia ali. Como físico, compreendi que esse potencial era praticamente ignorado como fonte de energia renovável”.
Agora, a startup busca patrocínios empresariais para custear a implementação. O modelo de financiamento via patrocínio corporativo permite associação da marca investidora a projeto de impacto socioambiental.


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